5ª Edição do “Quatro por 4”

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Era uma vez uma menina que saiu por ai em busca de livros e amigos. E ela encontrou um clube estranho. Formado por algumas garotas totalmente diferentes e apenas com uma afinidade – a paixão por livros! E, então elas juntas começaram a ler e nasceu o “Quatro por 4”. Digo o nome dessas garotas? 

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Ah, PESSOAL! 

Vocês já sabem quem são! Mas, a verdade é que fiz essa brincadeirinha pra comunicar que teremos uma pequena mudança. Pra não se prolongar muito… vamos a elas ou nós – o

“Quatro por 4”

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A nossa querida amiga Letícia Freitas está iniciando sua carreira a todo vapor e não vai poder estar participando com as leituras e acessos ao blog. Por isso, ela cedeu gentilmente sua posição a nossa querida Natália Assis do blog do blog Only Secret Dreams”.

Vamos ao livro da 5ª Edição do Quatro por 4

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SINOSPE

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Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia.

Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.

Contado em perspectivas e tempos diferentes, “Eu te darei o sol” é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.

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COELHO DA LUA

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O termômetro da Flávia

ENVOLVENTE

FABULÔNICA

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O termômetro da Juliana

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E… A MINHA RESENHA

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Meu termômetro

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E o próximo livro que será lido agora em MARÇO (mês lindo)! É nada mais nada menos que:

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Bom pessoal por hoje é só! Espero que gostem do post e não me batem por não gostar do livro… juro que me esforcei pacas. Mas, eu sou mega chatinha!

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A Redoma de Vidro – The bell Jar

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PLATH, Sylvia. A Redoma de Vidro. Editora Harper Perennial

 

Em 2010 tive conhecimento sobre esse livro devido ao curso que realizava. Durante um ano e meio o cursei Psicologia e algumas indicações de leitura e de filmes foram indicadas para os iniciantes e também buscávamos de forma autônoma também por materiais que nos pudessem auxiliar na compreensão de alguns sofrimentos psíquicos.

Apesar do interesse nessa leitura, evitei a leitura desse livro por causa de sua temática forte por acreditar que não era um momento ideal para mim. É um tema difícil de lidar porque é um tema muito humano, muito real até hoje – a depressão, a neurose.

Por fim, nesses dias, decidi então lê-lo. E vamos ao livro.

 

Prepare seu coração e sua mente!

SINOPSE

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Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica. Lançado semanas antes da morte da poeta, o livro é repleto de referências autobiográficas. A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. A obra foi publicada na Inglaterra sob o pseudônimo Victoria Lucas, para preservar as pessoas que inspiraram seus personagens. Assim como a protagonista, a autora foi uma estudante com um histórico exemplar que sofreu uma grave depressão. Muitas questões de Esther retratam as preocupações de uma geração pré-revolução sexual, em que as mulheres ainda precisavam escolher se priorizavam a profissão ou a família, mas A redoma de vidro segue atual. Além da elegância da prosa de Plath, o livro extrai sua força da forma corajosa como trata a doença mental. Sutilmente, a autora apresenta ao leitor o ponto de vista de quem vivencia o colapso. Esther tem uma visão muito crítica, às vezes ácida, da sociedade e de si mesma, mas aos poucos a indiferença se instaura, distanciando a moça do mundo à sua volta. ‘Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia’. Ao lidar com sua depressão, Esther também realiza a transição de menina para uma jovem mulher. Mais que um relato sobre problemas mentais, A redoma de vidro é uma narrativa singular acerca das dores do amadurecimento.

Disponível: http://www.livrariacultura.com.br/p/a-redoma-de-vidro-42744934

A LEITURA

sylvia_plath_by_magnoliamountain.jpgQuem lê a biografia da autora sabe que Sylvia Plath viveu uma vida intensa e curta. A Redoma de vidro é o seu único romance, lançado em 1963. A autora escrevia poemas e sonhava com a fama, a só alcançou com a sua morte no mesmo ano de lançamento do livro. Só por esses aspectos a expectativa antes de iniciar a leitura já é tensa, tipo pensasse “o que aguardar nas páginas desse livro?”.  

Nota sobre a autora

Sylvia Plath foi uma poetisa, romancista e contista norte-americana.

É reconhecida principalmente por sua obra poética, considerada dentro do estilo da poesia confessional. Seu único romance semi-autobiográfico é permeado de fatos históricos vivenciado pelos americanos no período da depressão e do pós-guerra. Ela narra e sua personagem discute o caso Rosembergs que ocorreu em junho de 1953. Foi publicado primeiramente por um pseudônimo Victoria Lucas e publicado em nome da autora em 1963, ano que coincidiu com o seu falecimento. 

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Garanto que não é nem um show de horror.

Mas é tenso, estranho, chega a causar espanto pela forma como vamos vivenciando junto com a personagem o seu adoecimento de uma forma sutil e quase imperceptível.

Esther Greenwood é uma jovem do interior, inteligente, de boa família e que ganha através de seus esforços uma bolsa de estudo de uma universidade conceituada para fazer o curso de Letras. Juntamente com a bolsa também ganha um prêmio para estagiar em uma revista bastante famosa por um mês, vivendo todo o glamour e prestígio que a jovem jamais havia tomado conhecimento. Podia participar de encontro com autores, jantares, belas roupas, conhecer pessoas importantes, etc.

Apesar de toda a tentação oferecida, no começo ela fica reclusa em seu quarto e apenas se dedica aos estudos, para garantir as boas notas e manter sua bolsa. É uma mulher muito sarcástica, tem um ar frio ao analisar as situações e vê com desprezo o deslumbre das jovens de sua idade para com as festas e com os rapazes.

A narrativa é feita em primeira pessoa, então tudo o que sabemos parte da percepção que Esther tem acerca de tudo o que sente e do que a cerca. E vamos percebendo que ela não está satisfeita com nada, não tem amigos, não se mistura com outras pessoas, ela vê o pior das pessoas e isso parece incomodá-la a ponto de irritá-la, justamente por se sentir obrigada a ter que agir de uma forma cortes e agradável mesmo sendo em total desagrado de sua parte fazê-lo. 

De uma forma sutil e rápida vemos uma mulher adoecer. Uma moça que sai da sua cidade em busca de um sonho, volta pra casa e não sabe mais o que é ou o que será.

Acompanhamos tudo o que ela vivencia na volta para a cidade, a atração pelo sucesso, sua frustração com a rejeição de um curso de escrita nas férias, a sua revolta com a ideia pré-concebida do papel que sua sociedade impunha para uma mulher, a forma como os homens a tratavam e olhavam para ela, etc.

Esther sente uma cobrança do mundo, quer oferecer o seu melhor, quer ser alguém, quer ter sucesso e alcançar a fama como uma escritora de sucesso. Ela esta de volta em casa, tem as férias inteira pela frente, faz muitos planos, mas tudo começa a desabar. Tudo o que ela planeja fazer não dá certo, ela passa a se enxergar de uma maneira negativa, revolta-se contra as pessoas ao redor, irrita-se com a vida num todo, sente uma incapacidade para qualquer tarefa imaginada.etc. Esther começa a definhar.

Esther vai se esvaindo, até que chega um dia e percebemos que ela não dorme bem (segunda ela tem semana inteira que não consegue dormir), não se alimenta direito, não toma banho, está entregue a um falta de vontade enorme de existir. Ela acha que está apenas ansiosa. Toma remédios e mais remédios para dormir. Seu humor é alterado. Ela está insensível. Revoltada.

“Eu engatinhei de volta para a cama e puxei o lençol sobre minha cabeça. Mas mesmo isso não bloqueou a luz, então eu enterrei minha cabeça sob a escuridão do travesseiro e fingi que era noite. Eu não via o porque de me levantar. Eu não tinha nenhuma expectativa”.

A situação vai se agravando, e é estranho porque a personagem num momento parece lúcida, bem, é inteligente, cheia de sonhos e num piscar de olho começa cair como num abismo. Ela não está bem. Mas, ninguém nota. Nem a própria mãe compreende o seu adoecimento.

Apesar do clima sombrio, a escrita é leve, poética e tem um ritmo que facilita o avanço da leitura sem problemas. Tem até um humor leve porque a personagem tem umas respostas afiadas, ela pensa de forma sincera demais. Como se seu adoecimento fosse como tirar o véu que cobre o mundo e de repente o visse como ele realmente é.

Além do problema psíquico de uma personagem que busca na morte encontrar o alívio para o seu sofrimento. A calma como ela planeja tudo, a frieza como ela avalia os fatos torna a narrativa real e até mesmo assustadora.

Ela compreende e reconhece que existe um problema dentro de si. Não enxerga mais a beleza na vida, não sente amor, não tem afeição pelas pessoas próximas a ela. Está vazia ou bloqueada de tal forma que se sente sufocada como se estivesse sob uma redoma de vidro e não pudesse respirar.

Muitos críticos e biógrafos dizem que muito deste romance é autobiográfico, por várias vezes a autora viveu uma crise emocional e tentou o suicídio por três vezes. Tendo sucesso na última tentativa.

A época vivenciada na trama é um momento em que a sociedade vivia uma grande ruptura no âmbito dos direitos das mulheres. A mulher busca o seu reconhecimento, busca a aceitação de sua sexualidade, o direito de não ter que se casar assim que completar vinte e um anos, a mulher ousa sonhar em ser mais que uma esposa dedicada, ousa descobrir o prazer através da busca no outro, etc.

Esther sofre e vivencia alguns dos muitos preconceitos e obstáculos dessa mulher moderna em ascensão. Tem um pensamento muito liberal e com um diferencial para uma mulher de sua sociedade é sofre por isso. Sente-se infeliz e não se sente pertencer ao grupo. Há um trecho em que ela recusa um casamento com um homem, que para todos era o melhor partido que ela poderia encontrar e ele lhe dizia (como a mãe dele):

“O que um homem quer é uma companheira e o que uma mulher quer é segurança infinita,” e, “O que um homem é se não uma flecha em direção ao futuro e o que é uma mulher se não o lugar onde a flecha pousa,”…

E o que Esther pensava a respeito:

“Essa é uma das razões porque eu nunca quis me casar. A última coisa que queria era segurança infinita e estar no lugar de onde uma flecha é atirada. Eu queria mudança e emoção e ser atirada em todas as direções, como flechas coloridas de um rojão de Quatro de Julho.”

Esther passa suas férias inteira arquitetando nas melhores maneiras para resolver seu problema, o qual pra ela, a solução seria colocar um fim em sua vida. Ela por fim organiza de forma bem metódica o suicídio.

Dá errado e por fim ela é encontrada e começa todo um dilema em prol de sua recuperação em um manicômio. O que para ela é mais um agravante para sua autoestima. Mas, ela se vê sem saída vivendo em um lugar em que nada que pudesse se transformar em algum instrumento perigoso era deixado por perto.

Apesar da situação em que Esther se encontrava, ela não aparentava ser uma pessoa fraca, é sempre sincera e tem um tom frio e sarcástico para falar. Notamos apenas que ela vê o mundo contra ela, pra ela todas as pessoas querem o seu mal, ou estão a falar algo ruim dela pelas costas. Ela sofre com um constante ataque de seus próprios pensamentos, não consegue enxergar nada além da “verdade” que sua mente cria para si mesma.

Dentro da clinica ela vivencia muitas situações que são às vezes engraçadas, dramáticas, estranhas, exóticas e aos poucos a vemos voltando de dentro do escuro de sua mente.

É emocionante. Bonito e triste. O estilo da escrita da Sylvia Plath é poética e a personagem foi construída de tal forma que denota claramente que a narrativa vem de uma mente doente e em conflitos constantes.

Só tenho uma ressalva a dizer sobre este livro: Ele precisa ser lido com uma total racionalidade e com uma certeza de que a natureza humana é passível a todas estas artimanhas da mente e estar psicologicamente estável.

Apesar de ser duro encarar algumas realidades, ignorá-las não é o melhor caminho, precisamos compreender que diante de algumas circunstâncias em que as coisa pra nós parece ser insuportável é preciso buscar ajuda, mesmo que outras pessoas considerem que seja uma fraqueza de nossa parte. Nunca uma pessoa tem uma reação igual a outra. Somos únicos em nossos sentimentos e toda e qualquer experiência torna-se única para aquela pessoa e nunca dá pra saber como é que o outro sente.

Não é nenhum livro fofo. Mas, é uma excelente obra. Bem escrito. Bem construído. Bem cuidado e de uma estranha e leve sutileza.

A Redoma de Vidro apresenta uma das faces da vida como ela é.

avaliação

Larry Peerce / “The Bell Jar” based on Sylvia Plath’s novel / 1979/ Full Movie

Um grande abraço carinhoso

E boas Leituras

Laynne Cris

 

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Liebster Award 2016

liebster award

 

Olá, Pessoal

Fui indicada pelo Rodrigo Serrão do Blog Drops Literário para responder a TAG Liebster Award. Quero agradecer ao colega pela lembrança do blog e pelas perguntas tão simpáticas. Muito obrigada… ❤

Regras

1-  Inserir o logotipo da Tag;

2 – Agradecer e mencionar o blog que te indicou;

3- Responder 10 perguntas;

4 – Indicar 10 blogs e avisá-los;

5- Criar 10 perguntas novas para os indicados.

 

A TAG é o seguinte (embora creio que a grande maioria dos blogues que sigo já participaram, o que me faz bular a regra 4 e a 5) responder as perguntas e inserir o logotipo da TAG agradecendo a indicação.

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As perguntas do Rodrigo

1 – Qual seu livro favorito?
Pergunta difícil! Todos livros que leio geralmente gosto. Mas, um livro que é um que tem muito a ver comigo e marcou um momento da minha vida foi “ONE DAY” e “Persuasão” e outro que leio todo ano “As memórias perdidas de Jane Austen – Syrie James”.
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2 – Se você tiver (ou se já tem) um filho (a), qual o primeiro livro que você lerá (ou leu) para ele(a)?
Para minha filha dei pra ela Pollyana. E ler, tinha várias histórias de contos de fadas e contos que divertem. Mas, sempre gostava de inventar história usando ela mesma como personagem.
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3 – Cite uma série que ninguém gosta mas você não consegue largar.
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Não sei se as pessoas gostam, mas nunca vi ninguém comentar. Adoro White Collar (porque investigam crimes de roubo de arte e adoro essa mistura – investigação e artes). Mesmo que algumas coisas sejam meio “surreais” eu curto a beça.
P.S.: Já terminei a 5ª temporada. 
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4 – Se você lê mangá ou HQ, quais seus favoritos?
calvin esp
Acho que nunca li um mangá. Mas, HQ amo de paixão Calvin & Haroldo e Peanuts. (Citei as que eu tipo compro… mas, gosto de ler quadrinhos)
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5 – Um livro que você sempre recomenda (não vale o seu favorito)
o som e a furia
O melhor livro que li esse ano foi “O Som e a Fúria” de Willian Faulkner”, é excelente tanto pelo drama e o grande desafio que é ler Faulkner.
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6 – Qual o filme que você não cansa de assistir?
a casa do lago
A casa do lago – pela história, pelas lembranças, pelos atores, pelos cenários, pelo contexto… por muitas coisas… E sem contar na magia… Amoooo ❤
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7 – Quantos livros você leu em 2015?
Acho que foram 7 e estou lendo 3 no momento, dois deles concluo ainda este mês (se não aparecer algumas outras prioridades).
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8 – Qual seria sua casa em Hogwarts?
Rs…. Segundo um teste que fiz no site Guia do Estudante minha casa seria Grifinória.
grifinória
A sua casa é… Grifinória!
Você faz parte da turma dos populares, mas é gente boa. Adora desafios, novas experiências e ter seus talentos reconhecidos. Em Hogwarts, você faria parte da panelinha de Harry, Rony, Hermione, os gêmeos Weasley, Neville Longbottom, Alvo Dumbledore… e muito mais!
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9 – Qual o primeiro livro que você leu?
Na minha vida ou esse ano? Bom, na vida eu não estou certa se lembro direito. Mas, lembro muito de O pequeno Príncipe, Quem roubou minha infância, Serra dos dois Meninos, Pollyana, Alice no País das Maravilhas – um desses pode ter sido o primeiro. 
Agora em 2016 iniciei o ano lendo Tolstoi – Felicidade Conjugal e o Diabo
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10 – Se você cozinha, qual seu melhor prato?
Agora você me pegou. Não sou nenhuma cheff. Mas, com uma receita na mão eu faço qualquer coisa. Mas, o que adoro fazer são coisas simples, práticas, saudáveis e rápidas. Mas, geralmente faço um arroz de forno que faz todo mundo sair da dieta e fazer segunda rodada.
arroz de forno

Bom, caro colegas! É isso. Espero que gostem de saber um pouco mais e Rodrigo, grata pela indicação.

 

P.S.: E quem sentir vontade pode responder a essas perguntas nos comentários. Achei super práticas e legais!

 

Música para hoje

Mad World

Abraços e uma ótima tarde

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A Conversa

A conversa

De onde estava, Adelaine, ouvia nitidamente uma conversa animada que vinha de algum lugar ali bem próximo. Sonolenta não conseguia distinguir se as vozes vinham do lado de fora do quarto ou se vinham de dentro de sua cabeça.

Embora não pudesse compreender o que as vozes diziam, às vezes, ouvia risinhos. Pareciam ser de dois seres ainda pequenos. Talvez fossem vozes de crianças. Teve a impressão que pareciam estar mais perto a cada instante.

“hi…hi…hi… cê tá veno Vitinho?” – dizia uma voz pequenina e melodiosa, parecia ser de uma menininha de uns quatro ou cinco anos.

Em resposta ouvia apenas risinhos. Eram risos felizes por alguma coisa que observavam. Os pequenos ruídos dos lábios da outra criaturinha denunciaram que mal dominava a fala.

“oia lá, veja Vitinho! Lá em cima, bemmmm lonjão. São as nuvês. Você sabe o que é as nuvês, Vitinho?” insistia a pequena professora com sua aula expositiva.

Adelaine se vira na cama e começa a despertar. Sente as pálpebras um pouco pesada. Continuou ouvindo a conversa. Sorriu. Tentou abrir os olhos. Uma pequena claridade invadia o quarto devolvendo-lhe a consciência de que já havia amanhecido. “Estou em casa” – pensou.

A conversa do lado de fora ficou mais clara para Adelaine, que agora podia identificar os pequenos perturbadores do seu sono. Levantou-se e caminhou até a cozinha. E enquanto colocava água para fazer o café, prestava atenção no diálogo animado dos pequenos tagarela no andar de cima.

Sabia que é das nuvês que cai a chuva, Vito?” – perguntou a menina toda cheia de ar de sabichona.

“dê a chuva, elô?” – um balbucio sai do outro interlocutor.

“ah, Vito… não é agora não. Só quando Deus quer molhar as plantinhas. As nuvês é dele, sabia disso?”

“dê ele?” – perguntou num tom de curiosidade, como que se ao olhar ao redor pudesse encontrar a figura de Deus.

“ele não tá qui não. não vai dá pra ver não. Ele é ocupado. Mas, quando chovê a gente vem ver a chuva, tá!” – a bela duplinha foi interrompida quando a avó os chamou para entrar para tomar o café da manhã.

Adelaine abriu a porta, segurou a xícara de café com as duas mãos. Os raios de sol da manhã estavam suaves e mornos, pareciam fazer-lhe uma carícia na pele. Inspirou o ar suavemente e sorriu feliz, e por um momento ficou ali parada refletindo com paixão sobre a doçura e a crença inocente de uma criança.

“Que saudade de ser criança!” – pensou enquanto solvia um gole de café e olhava o céu com suas nuvens que pareciam caminhar tranquilamente para alguma direção além da vista.

Sonho Meu – Jose Augusto

Ótimo fim de tarde – Um lindo domingo

Uma homenagem para a criança escondida dentro de nós!

assinatura

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A Abadia de Northanger

abadia de NorthangerAUSTEN, Jane. A Abadia de Northanger; tradução Roberto Leal Ferreira. – São Paulo: Martin Claret, 2012 (Coleção Jane Austen: literatura universal; 5)

MINHA PAIXÃO POR JANE AUSTEN

Esse livro “A Abadia de Northanger” foi o terceiro livro que leio da Jane Austen. Meu conhecimento sobre Austen ainda era bem pequeno, considerado que é uma das grandes escritoras de seu tempo e seus romances muito bem avaliados pela crítica e tem mais de 200 anos que escreveu seu último romance “Persuasão”, um ano antes de falecer .

O primeiro que li foi “Persuasão¹” que era um dos livros preferidos da personagem Kate no filme “A casa do Lago”. No momento em que Kate (a personagem) falou sobre o romance me despertou um grande interesse de conhecer os livros escritos por Jane Austen.

O segundo livro que li foi “Razão e Sensibilidade”, apesar de ter gostado muito senti um pouco de dificuldade para me habituar com o contexto. Então, antes de prosseguir com minha aventura de descobrimento dessas maravilhosas obras pesquisei acerca da época vivida pela autora (1775-1817), o gênero de suas obras, o senso narrativo e o ritmo narrativo. Assisti alguns documentários, inclusive a um que é sobre o museu que existe hoje da casa da Jane Austen e li um pouco mais sobre sua biografia.

Portanto, meus comentários são de uma leitora apaixonada por romances de época e literatura inglesa, e profundamente curiosa por viajar por mundos (ao passado) que são impossíveis de se estar sem o legado de uma boa literatura e de livros de histórias.

A primeira impressão que fica ao ler Jane Austen, é que sua escrita mais parece-se com uma conversa entre leitor e escritor. Ela vai aos poucos apresentando seus personagens e criando o contexto que é possível ir se formando uma imagem nítida no campo de nossas ideias, como se fosse uma tela de cinema mesmo, sabe?

Ler Austen é quase uma fuga da realidade, uma viagem de regresso ao tempo. Confesso que chego a ouvir as músicas dos bailes e risinhos das “moçoilas²” diante de alguns pretendentes, as conversas das matronas, etc.

E por outro lado ainda temos a riqueza de uma narrativa é impregnada de ironia e sarcasmo, sim ela tece de forma sutil e despreocupada uma severa crítica a sociedade e a moral conservadora sobre o bom costume e em como se considerava um comportamento saudável do ser humano.

Faz críticas sutis aos preconceitos das classes da burguesia e da alta sociedade. Num geral Jane recria o retrato da sua época e podemos através de suas heroínas conhecer suas percepções e opiniões sobre tudo.

Essa personificação em suas obras é justificada ao conhecermos um pouco mais sobre sua educação. Seu pai era um reverendo e lhe deu aulas em casa, assim com também sua casa recebia garotos que também para dar aulas, tanto o ensino sistemático, como a educação dos bons costumes, muito valorizado nesta época.

SINOPSE

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Escrito quando Jane Austen era muito jovem e publicado postumamente em 1818, A abadia de Northanger é sem dúvida uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil, tendo como pano de fundo a cidade de Bath. O enredo gira em torno de Catherine Morland, que deixa a tranquila, e por vezes tediosa, vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath do final do século XVIII.

Catherine é uma jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz dos romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances, especialmente os escritos por Ann Radcliffe.

Jane Austen faz um ótimo constraste entre realidade e imaginação, vida pacata e as situações sinistras e excitantes que os personagens de um romance podem viver.

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A LEITURA DO LIVRO

Agora posso mencionar minhas impressões acerca do livro “A Abadia de Northanger”. Sem dúvida é um excelente romance. A estória toda é construída a partir da vida de uma jovem nascida em família de pouca renda e de muitos filhos.

Catherine é uma menina ingênua e muito “moleca” e cresce fugindo dos padrões que se espera para se tornar uma “grande” dama. Espontânea, ingênua, ignorante sobre muitas coisas, porém se aceita como é, e confessa isso sem muitas dificuldades.

Por que isso é algo que considerei importante citar? Porque as pessoas retratadas na estória tentam mascarar algo que não são. Exceto a Catherine, que de tão sincera acaba sendo alvo de “mal” comportamento.

Quando li, fique tão compenetrada na história que até criei a minha “Catherine”.

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Continuando…

A família “Os Morlands” são amáveis e o pai é bondoso e Catherine se vê abrigada e amada. Mas, é uma sonhadora e quer ser uma heroína tal como as moças em seus livros de romance e por esse motivo vive arquitetando uma foram de conhecer outra cidade.

Outra característica que faz o livro ser imperdível, o grande número de citações de grandes nomes da literatura que a protagonista ama e nem tanta coisa é capaz de lhe dar mais prazer que a leitura de seus livros. Um dos romances que ficamos a par é The Mistery of Udolpho, romance gótico de Ann Radcliffe.

Nota: Inclusive a editora PEDRA AZUL lançou no ano passado (2015) o livro “Os mistérios de Udolpho Vol. 01, livro que é a base para grande parte das invenções mentais da nossa querida Catherine.

Quem quiser ler a sinopse deste livro “acesse aqui”.

Durante a narrativa os personagens têm diálogos riquíssimos sobre a obra de diversos nomes da literatura e sobre os autores de que mais gostam.

Voltando a parte principal – Catherine tem a oportunidade de enfim tentar viver uma aventura, tal qual a vivida por suas heroínas. E tomamos ciência disso através da narrativa esclarecedora de Jane que assume o papel do “narrador onisciente e vai nos contando as intenções e os sonhos da moça.

Catherine segue para Bath (uma cidade bastante usada por Jane para mover seus personagens, em Persuasão Anne está em Bath quando o capitão Wentworth vai encontra-la em busca de uma última chance) e em Bath que Catherine inicia suas amizades e nasce o encantamento por Henry Tilney.

Neste livro Jane foi bastante generosa na construção deste personagem lhe atribuindo poucos defeitos (Henry é tipo o homens dos sonhos de qualquer garota. Importante lembrar que neste livro temos uma Jane jovem).

Tirando o preconceito acerca da inteligência feminina podemos ver que Henry Tilney é um homem muito sábio e bastante sensato, apesar da pouca idade e ele coopera muito para o crescimento intelectual e pessoal de Catherine, que é ainda muito imatura e imprudente.

Como Catherine é fã de Radcliffe, ela tem uma imaginação fértil e se deixa conduzir por essa imaginação. E quando ela chega em Northanger o suspense paira e as lições que ela aprende são muito empolgantes e prendem a atenção do leitor a cada página. O que considero uma ótima sacada da Jane esses picos de suspense, pois por se tratar de uma estória da vida cotidiana poderia ficar uma leitura enfadonha e chata.

Nos 31 capítulos você é capaz de compreender os costumes, os hábitos, algumas curiosidades, tradições e muitas outras coisas quando se depara com cada um dos personagens que são secundários dentro da estória. Já ouviu falar em retrato escrito? Pois é! A Jane Austen é mestre nesta arte.

Catherine vive cercada pela inveja, falsidade, egoísmo, interesses e todas as situações que se pode esperar de uma sociedade. E apesar dela ser uma moça ingênua, ignorante e insensata acompanhamos o seu amadurecimento, e às vezes é possível se identificar com ela em algumas situações. Assim como podemos recriar como a história poderia ter tomado outro curso caso o comportamento dela fosse outro. 

É  um belo romance e uma linda viagem a Inglaterra do século XVIII com direito a aulas de literatura, filosofia e um lindo retrato das lindas paisagens desse período tão rico da história da Inglaterra. 

avaliação

1- Austen, Jane. Persuasão; tradução de Celina Portocarrero. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.
2- Maneira comum que a Jane Austen usa no seus romances para se referir a jovens senhoritas entre 16 e 24 anos.

Boas Leituras

Beijos

Laynne Cris Andrade

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O Som e a Fúria – Willian Faulkner

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FAULKNER, Willian. O som e a Fúria. Tradução de Paulo Henrique Britto. São Paulo: Cosac&Naify, 2014.

A leitura deste livro, O SOM E A FÚRIA, é mais uma da série Leitura Compartilhada que tenho realizado com a Silvia Souza do Blog Reflexões e Angústias. Nossa primeira leitura foi “O Amante de Lady Chatterley” do escritor inglês D.H. Lawrence. Quem quiser conferir a resenha acesse aqui, ou através da “Biblioteca Meu Espaço Literário”, no canto direito na página inicial.

O motivo da escolha deste livro é louvável – quem acompanha o blog da Silvia sabe que ela tem colocado como prioridades para a escolha dos livros a ler, escritores que ganharam o Nobel. E o Faulkner é um desses e ela quis compartilhar comigo.

E serei grata a ela eternamente por ter me dado à oportunidade de descobri um escritor tão fantástico. E uma das razões, dentre as várias que escrevo minhas impressões das leituras, é exatamente essa – proporcionar ao leitor o conhecimento de algum livro ou escritor que vale a pena ser lido.

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Abaixo a sinopse de “O som e a Fúria”.

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Abalado com a recusa dos originais dos seu terceiro romance pelas editoras, Faulkner isolou-se. Nesse período, nasceu “O som e a Fúria”, considerada em geral sua obra mais importante: “Quando comecei o livro, não tinha nenhum plano. Eu nem sequer estava escrevendo um livro. De repente, parecia que uma porta se havia fechado, em silêncio e para sempre, entre mim e os endereços dos editores, e eu disse a mim mesmo: ‘Agora posso escrever. Agora posso simplesmente escrever’”.

A noção de escrever contra um ponto de resistência, de querer cercá-lo e atingi-lo de vários ângulos, engendrou o movimento original do romance e também a sua conformação final. Pois as quatro partes que o compõem constituem investidas, de direções e de índoles distintas, contra um mesmo foco de inquietação.

Faulkner, a princípio, tenta eliminar as perspectivas clássicas de tempo, espaço, causalidade e até de sintaxe e de pontuação, como quem toma, uma a uma, as armas do inimigo. É preciso deixá-lo sem defesa, e assim a primeira voz do romance cabe a um retardado mental que registra percepções imediatas e pensamentos semiformados, sem hierarquia e sem critérios de atenção. Trata-se do idiota, implícito no título, extraído da passagem de Macbeth em que se diz que a vida é “uma história cheia de som e fúria, contada por um idiota e que não significa nada”.

Em lugar de planos de tempo bem marcados, vive-se uma espécie de presente em estado bruto. A experiência de inserir-se nessa perspectiva e de, através dela, conhecer as agruras do seu processo de desagregação e de extinção, constitui um dos trunfos que deu vida longa ao romance.

Em contraste, Faulkner descreve a rotina de trabalho da velha criada negra da família de modo a pôr em relevo as virtudes necessárias para resistir em tais condições. Sua presença pesa como a ferida aberta dos tempos da escravidão. Exatamente por isso está reservada a ela a única imagem de redenção possível, no romance.

Entre ideais de nobreza pueris e arroubos de ódio e de ganância que beiram o demoníaco, a velha família põe fim ao que resta de si mesma. O clima de quase delírio construído com maestria é a expressão derradeira da ruína de um grupo social, cuja síntese está no grito incontrolável do idiota na penúltima página: “puro som, uma agonia sem olhos e sem língua”.

Rubens Figueiredo – Cosac & Naif

leitura compartilhada

Eu e a Silvia procuramos sempre adaptar a melhor maneira para ler compartilhado sem que ocorram prejuízos do prazer da leitura. E, cada livro tem suas diferenças. Verificamos a editora, o número de páginas e como o livro é dividido, etc.

“O Som e a Fúria” é dividido em quatro partes e com um foco narrativo bem peculiar – o fluxo da consciência.

fluxo da consciencia

Confesso que para me preparar para essa leitura foi preciso fazer algumas pesquisas e estudar um pouco o estilo do autor e sobre a temática do livro. Sem esse cuidado acho que não teria aproveitado a leitura.

Tomado os devidos cuidados agendamos o prazo de leitura da parte combinada, e realizado, enviamos uma à outra nossas considerações da parte lida. E conforme o tema cativa prolongamos o assunto quando julgamos necessário. Tem sido muito gratificante, além de agregar um grande valor à leitura e ao conhecimento mútuo acerca de nos mesmo.

o som e a furia

Pra começar, posso afirmar que “O som e a Fúria” é um livro excêntrico: quem decide ler encontrará pela frente – um enorme desafio! Trata-se de um grande quebra-cabeça de pensamentos e fragmentos de acontecimentos.

Quem gosta de enigmas vai se maravilhar e ficar extremamente fissurado para desvenda-los. Mas, não crie muitas expectativas, pois propositalmente, este livro, foi concebido para que o leitor contribua com suas ideias e impressões para que possa construir toda a história encoberta nas entrelinhas. Então, use a imaginação!

Faulkner foi ousado em desenvolver um enredo totalmente descomprometido com o padrão literário de sua época. Conforme pode ter lido na sinopse da editora, este livro não atende em nenhum dos padrões clássicos da narrativa – tempo, espaço, causalidade, a sintaxe, a pontuação, a ortografia, etc.

A estrutura da narrativa assemelha-se ao fluxo de pensamento, com suas idas e vindas do presente ao passado e vice-versa. Ficamos por vezes diante de uma ação que acontece no presente e na mesma frase o autor retorna ao devaneio da personagem, outras vezes as frases não são finalizadas e é neste ritmo que toda a narrativa é construída – aos pedaços.

Precisamos focar a atenção nos detalhes que são colocados por toda a parte, para que possamos ir formando a ideia do que ocorreu com os personagens e a família, assim como compreender o que está acontecendo com o personagem-narrador, tipo: sua personalidade, quem ele é, o que está sentindo e qual é a conclusão que ele tira de alguns fatos.

O livro narra á história da família Compson, que vem se dissolvendo a medida com que o tempo passa. Pontuando historicamente a queda da aristocracia e o fim da escravidão. Os Compson são uma importante família do condado fictício de Yoknapatawpha e toda a trama é voltada a mostrar o declínio da família e da sociedade.

Um dos pontos cativantes que fizeram aumentar o meu interesse para ler Faulkner é que dezessete livros são ambientados neste condado fictício e alguns personagens transitam entre um livro e outro.

Inclusive neste livro o personagem Quentin cita o Coronel Sartoris em um trecho da narrativa na página 170 desta edição. Coronel Sartoris é personagem do livro “Sartoris” escrito pouco antes de O som e a Fúria.

Em Enquanto Agonizo também temos uma relação com o condado. O personagem Darl é levado para Jackson, uma espécie de manicômio onde Jason quer internar Benjy.

Faulkner cria um mundo particular e intitula “Mundo de Willian Falkner, único dono”, segundo a professora de literatura Munira Mutran em programa da Univesp em que explica sobre o livro e sobre o escritor. É um acervo de excelentes histórias, muito bem trabalhadas e de uma criatividade brilhante. Não é a toa que Faulkner recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pela  “poderosa e artística contribuição para o romance moderno norte-americano”, em 1949.

Estrutura do romance

“O som e a Fúria” é divido em quatro partes. Logo na primeira parte iniciamos a leitura tentando compreender um texto todo fragmentado e confuso, e às vezes sem sentido. Mas, por outro lado, é extremamente perfeito e curioso. Pois temos que se colocar na pele de um homem com idade de uma criança de três anos, sendo uma pessoa com problemas mentais e que não compreende sua própria realidade.

“Eles estavam tacando pequenino, do outro lado do pasto. Fui andando junto à cerca de volta para perto do lugar onde estava a bandeira. Ela balançava entre a grama ensolarada e as árvores”. (A percepção de Benjy quando vê os jogadores de golfe correr atrás da bola, eles ficam longe de onde ele esta, e ele não entende a ideia de distância (perto/longe) e pensa que ficaram pequenos – Benjy adorava ir até a cerca para ver o jogo).

Benjamin não fala e seus familiares acham que ele também não ouve. É considerado um grande idiota que só sabe berrar e chorar. Está com 33 anos no dia em que a narrativa se passa – 07 de abril de 1928. Inclusive é aniversário dele, e a Dilsey manda comprar um bolo pra ele. É emocionante essa parte.

Dilsey se importa muito com a Benjy e a família, e também a sua uma irmã Caddy, pela qual ele tem um apego muito grande

Quando comecei a ler o primeiro parágrafo e me deparei com isso, tomei um susto – “Do outro lado da cerca, pelos espaços entre as flores curvas, eles estavam tacando. Eles foram para o lugar onde estava a bandeira e eu fui seguindo junto à cerca. Luster estava procurando na grama perto da árvore florida. Eles tiraram a bandeira e aí tacaram outra vez. Então puseram a bandeira de novo e foram até a mesa, e ele tacou e o outro tacou”.

Pensei: Meu Deus! O que significa isso? Não consegui nem entender o que estava acontecendo, visualizar a cena na minha cabeça, nem nada. Em resposta a essa dificuldade fiz toda uma pesquisa de textos e vídeos sobre o autor e sobre esta obra em especial.

Já a segunda parte, voltamos ao tempo. Faulkner nos leva ao dia 02 de junho de 1910. Conhecemos a mente perturbada de Quentin que está planejando um suicídio. Toda a narrativa nos revela de forma muito mais complexa e confusa a mentalidade de alguém que deseja morrer, chega a ser mais complicada que a primeira parte.

Quentin é um dos filhos dos Compson e não consegue lidar com os problemas da família e nem com os sentimentos incestuosos que tem pela irmã – Caddy. Essa parte é muito cheia de simbologia e um sentimento sombrio de uma pessoa depressiva. Já no início este trecho me chamou a atenção:

“Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo. Porque jamais se ganha batalha alguma, ele disse. Nenhuma batalha sequer é lutada. O campo revela ao homem apenas sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão de filósofos e néscios”. (Pag. 73)

Essa parte do livro é muito apreciada por ser considerada muito parecida com Ulisses de James Joyce. É um jovem estudante de Harvard que sai para passear pelas ruas da cidade e vai pensando sobre sua vida no caminho. Sua mente oscila entre o que esta acontecendo e o que está pensando, tornando a narrativa um amontoado de informações que precisamos organizar.

Na terceira parte acompanhamos agora Jason, outro Compson. Apesar de ser uma narrativa menos fragmentada, mais objetiva e clara, é tensa. Jason é tão perturbado quantos os outros dois irmãos, só que de modo diferente. É um homem muito mal, sádico, rancoroso, ganancioso e muito pretensioso. Temos aqui uma sensação de horror com cada atitude e pensamento que ele tem para com as pessoas que cuidam dele e por todas as demais pessoas. Em especial sua maior vítima é a sobrinha, filha bastarda da irmã, Caddy.

Caddy é aquela personagem muito importante dentro da história, mas que só a conhecemos a partir da visão destes três homens, seus irmãos.

Jason é o personagem que menos é digno de consideração. Todos erraram, todos têm suas culpas, mas ele é o único que não dá pra ter empatia ou concordar em algum ponto com ele.

Em toda a construção da história o escritor faz uso da técnica fluxo da consciência e do monólogo interno. E em cada uma das partes vamos juntando os pedaços da história através dos pensamentos de cada um dos personagens principais. E a partir disso vamos conhecendo as outras pessoas da família e todos os personagens que interagem e são importantes dentro do contexto.

O núcleo principal é composto pelos Compson – Benjamin, Caddy, Jason, Quentin, o tio Maury, a Sra. Compson (Caroline), fala-se no pai, que também se chamava Jason, em Quentin (filha de Caddy), a avó é citada na primeira parte. E o núcleo dos empregados da casa – Dilsey, Luster, Frony, T.P, Roskus, Versh, que também são bastante relevantes para a unidade da história.

Como a narrativa não obedece à linha de tempo e nem do espaço, exige-se que o leitor atente-se para cada colocação que o personagem apresenta, por exemplo, uma lembrança, um pensamento, uma visão, um diálogo e acompanhar com cuidado a ordem que as coisas estão acontecendo dando importância para os tempos verbais, os pronomes e a flexão deles.

Conforme disse no início é um enorme desafio a leitura desse livro, mas foi exatamente isso que me prendeu e me fez devorá-lo em poucos dias. Todo o mistério e as pistas deixadas pelo caminho foram a força motriz para a leitura. Tenho certeza que minhas correntes neuronais dobraram de volume depois do esforço mental fenomenal ao que fui obrigada a utilizar para transformar estes jogos de palavras em um filme na minha cabeça.

E, por fim temos a quarta parte, aqui, o Faulkner entra com um narrador onisciente e vai revelando a história e alguns acontecimentos. É um show de lirismo, intensidade da moral, dos valores, do sofrimento e da contradição que ele via no fim da escravidão e o quanto a pobre Dilsey trabalhou antes de poder ganhar sua chance de ir à igreja num domingo de Páscoa.

“Em seguida, fechou-o e largou-o e pôs-se a empilhar pedaços de lenha no braço encurvado contra o seio, pegou o guarda-chuva e após algum tempo conseguiu abri-lo e voltou aos degraus da porta da cozinha, e equilibrou a lenha precariamente enquanto fechava o guarda-chuva, o qual deixou em pé no canto ao lado da porta. Jogou a lenha na caixa atrás do fogão. Em seguida, tirou o sobretudo e o chapéu, acendeu o fogão. Quando o fazia, sacudindo as grelhas e remexendo as tampas, a sra. Compson começou a chamá-la do alto da escada”. (pág. 259)

Através da Dilsey, Faulkner apresenta que ainda existe salvação para o homem, que há pessoas que tem bom coração e sabem superar as dificuldades sem se tornar más; como acontece com o Jason.

Os Compson estão liquidados. Estão fadados a decadência financeira, moral, social e tudo mais. Acabou. É o fim de uma descendência. E para concluir essa parte outro fragmento muito simbólico que reflete os acontecimentos em O som e a Fúria.

“O relógio tiquetaqueava, solene e profundo. Era como se fosse o pulso seco daquela casa decadente, e depois de algum tempo ele zumbiu e pigarreou e bateu seis vezes”. (pág. 276).

divisor de texto

Considerações

 

O livro é provocante desde a estrutura, do estilo, do formato, das características empregadas ali, várias especulações e espanto ao leitor. Somos induzidos a querer de algum modo compreender o que se passa a cada parágrafo lido, juntar todos os fragmentos desse quebra-cabeça humano e descobrir o que a voz do autor quer revelar.

Mergulhamos em uma época de grandes mudanças sociais, econômicas, filosóficas, de valores e de rupturas. A família Compson é em “O Som e a Fúria” a representante da queda da família aristocrata, da decadência financeira e do status social que fez com que toda a estrutura familiar fosse demolida. E é bem assim que sentimos ao ler esta história, são pessoas vivendo em uma casa, contudo não se conhecem. Vivem num grupo e ao mesmo são sozinhas, cada uma com suas complicações e sofrimentos. Quentin se suicida e nem a mãe conhecia as perturbações da mente do próprio filho, a filha (Caddy) é expulsa de casa por ter engravidado e lhe é roubado o direito de ver a filha crescer, é subornada e extorquida pelo próprio irmão, que a culpa por ter perdido uma vaga de emprego num banco porque o casamento dela não deu certo. Jason é cruel, mas é o chefe da família depois do falecimento do pai, então certo ou errado as coisas são feitas conforme ele quer. A mulher neste contexto não tem voz, é sempre vista como um problema, como objeto, como a parte mais frágil e problemática.

E ainda temos os problemas de saúde que a família vê como uma maldição ou má sorte e o preconceito racial explícito para com os negros, com os camponeses, e também com as pessoas deficientes ou com suas capacidades diminuídas, ou seja, a grande divisão de classe é bastante discutida e mostrada de uma maneira tão verossímil que sentimos cada emoção diante de cada situação dada.

Uma das cenas tocante é quando Dilsey compra um bolo para comemorar o aniversário de Benjy, e na cozinha sem o conhecimento da família; ela o chama para apagar as velas e comer escondido. Mesmo sabendo que Jason vai reclamar, ela demonstra o cuidado e carinho para o membro mais excluído da família.

E através da apresentação dos valores como compaixão, lealdade, força, coragem que vemos através da personagem Dilsey que o autor mostra sua esperança na humanidade. Que apesar do sofrimento, das humilhações frequentes, do desprezo e da miséria, Dilsey ama e cuida da família Compson e se nega a abandoná-lo.

Ironicamente a época tem como temática forte a consolidação da libertação dos escravos e os Compson tentava se libertar de Dilsey e de sua família e nunca conseguem. Pois ela reconhece a necessidade deles e fica ao lado da família até o fim.

A Silvia colocou no último e-mail que trocamos uma colocação muito pertinente quanto a conclusão do final da história. Ela refere-se que a história não é entregue e nem tudo fica esclarecido, ficamos ainda cheios de interrogações e assim como na vida; as grandes obras carregam a incoerência da vida. Faulkner deixa os leitores perplexos e com sua história remoendo na cabeça por dias.

“A vida não tem explicação para tudo e imagino que as grandes obras sejam um reflexo dessas incoerências da vida” – Silvia Souza.

No final do livro, Faulkner criou um apêndice com uma pequena biografia dos personagens principais e a partir dela, encontramos algumas respostas que ficaram em aberto e cabe a nós – leitores, imaginar o que foi que sucedeu com cada personagem, ou o que aconteceu de fato em alguma cena, o qual são várias as que ficamos com muitas perguntas sem respostas.

avaliação

Referências

Dica de Leitura – http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/macbethr.html (Macbeth – Willian Shakespeare)

Literatura Fundamental 55 – O Som e a Fúria – Munira Mutran – disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mSUjdRgOhnE

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Primeira obra de Tolstói

Felicidade Conjugal

TOLSTÓI, Leon. A felicidade conjugal seguido de O diabo. Tradução e prefácio de Maria Aparecida Botelho Pereira Soares. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.

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Janeiro de 2016 foi um mês em que a leitura não ganhou grande espaço no meu dia a dia; devido à maratona de estudos e ao trabalho, fiquei com pouco tempo para ler. Mas, mesmo assim consegui ler quatro livros entre idas e vindas do trabalho, nas filas, nos intervalos. E em qualquer oportunidade de ócio, lá estavam eles ao alcance das minhas mãos.

E a primeira leitura concluída foi o livro do escritor Leon Tolstói. Autor que tenho vontade de ler já faz algum tempo. Quero ler Anna Karenina e Guerra e Paz, mas antes quero ter algum conhecimento do estilo de escrita do autor.

A felicidade Conjugal seguido de O Diabo é a primeira novela do autor, desenvolvida em sua fase da juventude. Segundo o prefácio elaborado pela editora L&PM por Maria Aparecida Botelho Pereira Soares, Tolstói não considerou feliz a publicação desta obra, em 1859, achou-a muito fraca, falsa e ruim mesmo. Ficou arrependido de tê-la dado ao editor.

Que bom para nós leitores que ele só teve essa percepção depois da publicação!

Tolstói é considerado um exímio criador de narrativas que visam buscar a beleza de tudo e um excelente criador de personagens marcantes, e de mesclar a ficção com uma análise profunda do comportamento e dos pensamentos humanos, e acima de tudo é um grande crítico de si mesmo.

Bom, quem já leu alguma obra do escritor deve saber se isso é verdade. Eu, estou apenas iniciando minha trajetória tolstoiana, e seguramente posso lhes dizer que fiquei apaixonada com a forma como a narrativa me permitiu recriar todas as imagens do cenário e sentir todas as emoções vividas por seus personagens.

Mas, vamos ao livro.

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Sinopse

 

Duas pérolas de um mestre da literatura universal

“Tolstói é o maior de todos os narradores”


Virginia Woolf

 

Poucos escritores penetraram tão fundo na alma dos seus personagens quanto Leon Tolstói (1828-1910), dono de uma técnica narrativa certeira e cristalina. É o que pode ser visto neste livro, que reúne duas primorosas amostras da sua vasta obra. Publicada em 1859, A felicidade conjugal é a primeira obra do futuro autor de Guerra e paz. Já o conto O diabo foi escrito em 1898 e publicado postumamente, em 1916. De origem autobiográfica, ambos os textos tratam das mesmas questões, caras a Tolstói: o papel do casamento, do sexo e das relações amorosas, bem como a responsabilidade moral dos indivíduos.

Em A felicidade conjugal, o autor demonstra sua habilidade de narrar a partir do ponto de vista de um personagem feminino – habilidade que seria levada às últimas conseqüências em Anna Karênina – para retratar a meninice despreocupada da princesinha Macha, sua aproximação e o posterior relacionamento com Serguêi Mikháilovitch. Em O diabo, Evguêni, um bacharel em Direito, se envolve com uma bela camponesa da região, num caso que teria tudo para ser esquecido e relegado às loucuras de juventude. Mas Evguêni é jovem, e não percebe que está criando armadilhas para si mesmo.

 

Fonte:http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=816351&ID=534416

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apaixonada

A novela – A felicidade Conjugal

“A felicidade Conjugal” é uma novela em que o autor narra com minuciosas descrições das estações, e é na primavera que a onda do despertar da paixão envolve a personagem principal, Macha.

“[…] a primavera chegou. Minha tristeza anterior havia passado e fora substituída por uma inquietude primaveril e sonhadora, de esperanças e desejos incompreensíveis. Eu já não passava o tempo como no início do inverno, pois o preenchia cuidando de Sônia, ou com a música ou a leitura.”

É impressionante ver uma visão feminina tão bem construída por um homem – que talento! Narrativa em primeira pessoa, a Macha, e é a partir da visão dos sentimentos e a perspectiva dela e da personificação da paixão e do amor que vamos adentrando em um mundo todo fantasioso de uma jovem tornando-se mulher.

 A paixão é tão bem delineada que se torna quase palpável e é a característica mais marcante dentro da novela, porque nos incita a uma reflexão acerca desta fase da vida, pontuando o quanto de nossa personalidade pode ser formado a partir de como internalizamos essas vivências.

 A jovem Macha fica órfã e descobre que um amigo antigo da família, que a conhece desde menina, passa a ser o tutor dela e da irmã menor, Sônia.

“Serguêi era nosso vizinho e fora amigo de meu finado pai, embora fosse bem mais moço do que ele. Além do fato de que sua chegada iria modificar nossos planos e abriria a possibilidade de irmos embora do campo, desde pequena eu me acostumara a gostar dele e respeitá-lo, e Kátia, ao mandar animar-me, adivinhava que, de todos os conhecidos, Serguêi Mikháilitch era a pessoa diante da qual eu menos gostaria de me mostrar com uma aparência desfavorável”.

As duas garotas, após o falecimento dos pais, viviam sozinhas no casarão da família, apenas com a companhia de sua babá, Kátia, e dos outros serviçais da casa. Macha está entre os 16 e 17 anos e ao receber a primeira visita de Serguêi Mikaháilich percebe a diferença no olhar dele para com ela. E por sua vez também o percebe de outra maneira.

Macha sempre teve Serguêi em bom conceito, pois quando menina sua mãe dizia que se tinha um homem que ela adoraria que a filha se casasse, esse homem era Serguêi Mikháilitch.

Mas, nesta nova fase de sua vida tudo era novo para ela. A partir de seus pensamentos, conhecemos suas indagações acerca de todas as mudanças que sentia ao notar que a presença desse homem mais velho começa a provocar-lhe algumas novas sensações até então desconhecidas por ela.

E toda a história é construída de uma maneira inocente, cativante, apaixonante; desfilando por todos os arroubos da paixão. Tolstói descreve todos os passos dos sentimentos humanos de encontro ao outro. No primeiro momento a paixão, depois a satisfação desse desejo, depois a sensação de insatisfação. Em que parece que o amor e a paixão não provocam mais todos os gorjeios de antes e o indivíduo cai numa profunda desordem de si mesmo. Temos o conflito entre o que se viveu e o que se tinha e o que sobrou, ou o que pensamos ter. Vemos claramente a frustração e a insatisfação humana frente às situações vividas, e por fim o aprendizado da vida e o descobrimento do verdadeiro amor e da amizade, ou a busca por ele.

Tolstói reconstrói com encanto, lirismo e de maneira intensa os caminhos que o ser humano percorre até encontrar um pouco de equilíbrio de suas vontades e anseios. Mostra a partir da vida destes personagens personificados a mais de 150 anos atrás, que somos ainda movidos por nossa complexa insatisfação com a vida.

“A partir daquele dia, terminou meu romance com o meu marido. O antigo sentimento tornou-se uma recordação preciosa, mas impossível de renascer. Um novo sentimento, de amor aos meus filhos e ao pai deles, deu início a uma nova vida, uma vida feliz mas diferente, que ainda estou começando a viver”.

A vida é um longo percurso cheio de fases e precisamos aprender a tirar de cada uma dessas fases o melhor que pudermos. Para, a partir da experiência, alcançar enfim o que nossa alma tanto anseia – a felicidade.

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O conto – O diabo

 

Quando li o título desse conto tive a impressão que poderia tratar-se de algo religioso, porque Tolstói tem toda uma filosofia de vida pautada na religião e na construção de uma moral do comportamento.

Mas, que tola impressão errada foi a minha. Pois é um conto muito divertido. Na verdade tem um senso de humor negro e revela o triste papel da mulher na sociedade daquela época e não tão distante do que é hoje – que, cá entre nós, também não estamos numa situação de muito prestígio. Infelizmente ainda somos vista de maneira que não me agrada muito por muitos. Mas, isso é outra história; e tão complicada de conversar quanto religião e política.

No entanto, a ficção corrobora para tornar público diversos temas que são tabus. E em outras vezes servem para “abrir” nossos olhos e nos evidenciar certos impasses de nossa sociedade doente e carente de diversos valores. E convenhamos que exitem coisas que atravessam séculos e séculos e não se veem muita diferença, apenas mudanças de perspectivas ou foco.

Em “O Diabo” somos apresentados ao jovem Evguêni Ivânovitch Irtênev, um filho atencioso de uma família distinta, bom homem, honesto. Recebeu boa educação, tinha amizades importantes na alta sociedade, rico e de caráter digno de orgulho. Mas, como nem tudo são flores o pai do rapaz morre e deixa para ele um enorme problema. Além de alguns segredos que podiam colocar a reputação do pai na lama diante da “casta” sociedade, o pai o deixa com enormes dívidas e muitos problemas na administração de suas propriedades.

“Após a morte do pai e ao fazer a partilha dos bens, os irmãos verificaram que haviam tantas dívidas, que o encarregado do inventário até chegou a aconselhá-los a renunciar à propriedade e ficar apenas com a herdade da avó, que valia cem mil hublos.”

Mas, esse era apenas o pano de fundo para este conto. Assim como na novela (citada acima), a narrativa também é toda permeada por um estilo lírico e numa sequência cronológica que torna a leitura quase um filme a rodar em nossa imaginação. As características dos personagens, assim como as descrições dos cenários, são claras e não atrapalham o caminhar da história, muito pelo contrário, elas favorecem a compreensão dos acontecimentos.

Evguêni é um homem bonito e vivaz. Acostumado com a vivência luxuriosa e a facilidades da alta sociedade e da cidade, vê sua vida transformada quando precisa se mudar para umas das propriedades do interior, a qual precisa a todo custo reestabelecer a ordem para não perder todo o seu patrimônio.

“Havia muito trabalho a fazer, mas Evguêni tinha energia de sobra, tanto física como mental. Ele tinha 26 anos, altura mediana, compleição forte, musculosa devido à ginástica; era do tipo sanguíneo, corado, de dentes claros e cabelos finos, macios e ondulados. Seu único defeito físico era a miopia, que ele mesmo provocara usando óculos e agora não podia ficar sem seu pincenê, que já havia feito um sulco no alto do nariz. Assim era ele fisicamente.”

Sendo um rapaz de bom caráter, ele se depara com um grande problema. Como viver a vida boemia de antes numa aldeia em que só se tem mulheres casadas e moças de família.

“Não era depravado, mas também não era nenhum monge, como ele mesmo costumava dizer. Mantinha essa prática, segundo suas palavras, apenas para garantir sua saúde física e independência mental. Ele o fazia desde os dezesseis anos e até então tudo tinha corrido bem, ou seja, não se entregara à depravação, não se apaixonara nem pegara nenhuma doença.”

A partir dessa problemática, vivenciamos momentos inacreditáveis, situações até mesmo constrangedores que nos fazem refletir e deduzir – “O que uma pessoa é capaz de fazer para realizar seus desejos e anseios?”.

“A continência involuntária começava a ter nele reflexos negativos.”

E mais uma vez Tolstói constrói toda uma narrativa a partir dos sentimentos humanos mais intensos e muitas vezes não verbalizados por nós. Com ousadia o autor não omite e nem ameniza nenhuma das situações em que o jovem Evguêni enfrenta para resolver o seu “problema”.

E, então ao poucos o leitor vai descobrindo quem é o diabo. E como você faria para se livrar dele?

Nesse conto o autor nos brinda com um final extra. Então, temos duas possibilidades para o fim do jovem Evguêni. Mas, digo-vos que os dois finais me causaram espanto e certa indignação.

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Bônus de Leitura

 

A editora L&PM acertou em cheio com o perfeito prefácio, em que nos apresenta uma bela narrativa sobre a vida de Tolstói – sua carreira, sua vida, sua ideologia, seus pensamentos, etc. Inclusive dizem os críticos que esse conto é bastante autobiográfico e a partir dele Tolstói tenta mudar seu estilo de escrita, em que se refere ao uso de frases menos longas e com menor uso dos recursos descritivos e simbólicos tornando-o dono de uma das mais certeiras técnicas de narrativa.

 

Leia um trecho do livro

 

Disponível em: http://www.lpm.com.br/livros/Imagens/a_felicidade_conjugal.pdf

 

Saiba mais sobre a vida e obra do autor

 

Disponível em: http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=607090

avaliação

Afetuosamente

Boas Leituras

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Poema 12 – Quando você Aprende

Poema 12

Quando você aprende

 

Há momentos na vida

Que não devemos tentar compreender

E sim apenas viver

Pois pode ser a única chance que a vida nos dá.

 

Há anos tenho descoberto

Esses pequenos momentos

E num mundo cheio de superficialidade

Encontrei no mais inesperado encontro

A cumplicidade e aquela sensação de não estar só

E poder confiar outra vez.

 

Precisei e preciso

Todos os dias renunciar

Todos meus conceitos e preconceitos

Das verdades que me foram ensinadas

E assim aprender a aprender

A estar junto e partilhar.

 

Aprendi ouvir o que não queria

Aprendi a respeitar e compreender

Algo que não concordava

Aprendi olhar com olhos que não eram os meus

Aprendi a dar sem nem pensar em receber algo em troca

Aprendi a querer estar em um lugar

Pelo simples fato de apenas estar

Aprendi a sorrir e ficar feliz com conquistas que não eram minhas.

 

Aprendi que ponto final não é o fim

E que, enquanto desejarmos,

Continuaremos a escrever nossa história.

Aprendi a desejar e ansiar por algo para alguém

Mesmo sabendo que esse algo poderia partir meu coração.

 

Aprendi que há diversas maneiras para se tocar em alguém

Sem nem precisar tocar e que o silêncio fala mais que mil palavras

Aprendi que é preciso olhar com o coração

E que nem todas as palavras dizem o que está escrito.

Descobri que é sim possível amar, até mesmo nos momentos mais inexplicáveis

Onde você acreditava que era impossível aceitar

Aprendi que perdoar não é opção ou uma escolha que fazemos

Perdoar é um gesto que acontece

Quando o coração aprende que perde muito mais

Se guarda as mágoas e que a saudade é uma aliada a cooperar.

 

Mas, também aprendi que é preciso respeitar

O tempo da pessoa quando falhamos com ela.

Aprendi que não existe perfeições e que amar é conviver com elas

Aprendi que não tem como voltar atrás

Quando construímos laços afetivos forte com alguém.

Aprendi também que minha vida ainda é um desenho incompleto

E que os traços distorcidos e as cores que me faltam só serão

Aperfeiçoadas quando eu estiver pronta

Para dividir e permitir que outro artista me ajude a terminá-la comigo.

Aprendi que não fomos feito para ser um.

 

Aprendi também que é muito difícil livrar-se das máscaras que o mundo nos impõe

Mas, também aprendi que vale a pena deixá-las cair pelo caminho

E aprendi que de uma maneira misteriosa os caminhos se cruzam

E um dia encontramos

Alguém para prosseguir conosco pela estrada da vida

Aprendi que depois que se encontra esse alguém

É impossível desistir e deixá-lo partir.

E que certamente nunca teremos uma caminhada 

Igual a que sonhamos!

 

Aprendi que é necessário estar só as vezes para aprender estar com alguém.

 

Aprendi que viver o momento é estar presente nele

Sem se ausentar em pensamentos

Que feliz ou triste 

São esses momentos que nos ensina a viver

E que foram nesses momentos

Que aprendi amar 

 

E são momentos como este

Esse agora que vivemos!

Que me fazem olhar para dentro de mim

E agradecer por ter vencido mais um fantasma 

E por descobrir que meu maior inimigo mora dentro de mim

Ser feliz por ter a certeza que é quando eu me perco

Que encontro você!

 

Que num dia com céu limpo, ou com nuvens carregadas,

Com dias nublados e tempestuosos

Possamos sempre contar um com o outro

Pois o maior tesouro

Que a vida um dia me deu

Foi me permitir

Andar parte desse meu caminho com você!

 

“Settle down with me, And I’ll be your safety. You’ll be my lady”

 

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Gravidade

Gravidade

Um lindo dia Galera “WordPressiana!” Como estão todos por ai?

Tirei hoje um instante do meu dia para distrair um pouco e fazer algo que é muito agradável, descomprometido e apenas um gesto de pura descontração da mente e da alma. “Escrever livremente”.

E, abaixo, então lerá um micro-conto que escrevi para participar da “Quarta-Criativa” lá do blog do Palhão…

Quem não conhece ainda, dá uma conferida! => Quarta Criativa 

divisor de texto

Gravidade

“Quem sou eu?” – perguntou a jovem àquele rapaz com quem compartilhava tanto de sua vida.

“Você sabe que eu sei “ler” você, não sabe?” – ele responde a ela com os olhos firmes a encará-la. Ela se intimida diante daquele olhar e insiste na questão.

“Pois, então me diga o que lê agora senhor!” – seu sorriso é tímido, ansioso e esperançoso. Tentava inutilmente esconder seu nervosismo num tom de fala atrevido.

Ele alto, forte e possuidor de uma expressão totalmente ilegível. Aproximou-se dela com certa elegância e destreza. Seus gestos similares ao de um destemido caçador a cercar a vítima que caiu em sua armadilha.

“Diria que você é totalmente dominada pelo que sente por mim, moça. Também diria que adoraria conseguir evitar meus olhos agora. Mas não consegue, pois é atraída por eles de forma incontrolável. E com certeza fugiria se pudesse de mim, pois eu te deixo aflita. Mas, sei que quanto mais tenta fugir mais deseja voltar aqui e pra mim. E sei que adora a tormenta que lhe causo”. – ele sussurra essas palavras aos ouvidos da pequena mulher que suspira e inspira fortemente fechando os olhos tentando inutilmente manter a serenidade de suas ações.

“Estou errado, paixão?” – o meio sorriso indicava que ele conhecia e tinha certeza da tormenta que causou à mulher diante de si. E somente através da reação do olhar e da expressão em seu rosto ele podia ter certeza que ela lhe dizia sim para tudo o que havia dito. As palavras eram desnecessárias. Mas, ele tinha que ouvir. Precisa que ela verbalizasse que ele estava certo. Que ela era dele. Apenas dele.

“Diga, estou certo?” – insistia ele. Tinha que ouvir o som sôfrego da voz daquela mulher que ele desejava ser único em tudo que ela pudesse sentir.

“Sim, não está errado. Sim, não consigo resistir á você. E preciso de você e do que você me faz sentir.” – ela lhe responde tão suavemente e num tom baixo que ele lhe puxa pelos braços e a toma para si, agarrando-a firmemente pela cintura, tornando nulo o espaço entre seus corpos e insistia-lhe para que repetisse tudo o que havia dito.

Naquele instante, o tempo parecia congelado entre os dois, e a única ação acontecia na atmosfera interna daqueles dois corpos. Ela sabia que jamais poderia livrar-se do encantamento que aquele homem lhe submetia. Ela estava presa a ele por correntes invisíveis e eternas, e adorava estar presa a ele.

E ele sabia que o fato de ter aquela mulher tão única e tão sua não o faria tirá-la de cabeça; viciante eram as sensações que ela lhe causava e a falta dela lhe causava irritação e até mesmo sofrimento do corpo e da mente.

E o “ser” naquele instante nada mais era que a mais intensa atração entre corpos, almas e espíritos, rompendo a linha do tempo e da temporalidade.

Importava-lhes apenas o agora!

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Afetuosamente 

Laynne Cris

Do or Die – Thirty Seconds to Mars

Nota explicativa:

ABACO (o tempo) – INTERROGAÇÃO (perguntas)  – MÁSCARA (sentimentos e sensações)

Meu Espaço Literário

www.laynnecris.wordpress.com

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Prêmio Dardos!

Dardos

Olá, Gente…

Vim dar uma passadinha rápida aqui para agradecer a tão carinhosa e assídua presença dos que sempre dão uma passadinha aqui no blog. E de quebra finalmente consegui fazer uma pesquisa e anotar todos os amigos que indicaram o “Dardos” para o MEU ESPAÇO LITERÁRIO.

É uma honra para mim a indicação e não poderia deixar passar em branco. Já de primeira quero dizer que todos que me indicaram recebem também a minha indicação. Pois são blogs que sigo e que sempre leio os textos publicados, que por sinal são sempre de excelente bom gosto e útil para algo que preciso ou que gosto.

RECEBI INDICAÇÃO DOS SEGUINTES BLOGS.

http://www.wldexilado.com – do Querido Waldir. Conheci a pouco tempo e curto a beça o estilo despojado e sarcástico de sua escrita.

www.reflexoeseangustias.com – Da minha querida e adorável Sílvia. Amo o seu estilo tão acolhedor de escrever. É uma pessoa que deixa transparecer através da sua escrita toda o cerne de sua alma.

http://www.onlysecretdreams.wordpress.com – Minha querida Nath. Não curto gíria ou essas frases de “net”. Mas, neste caso eu pediria a Deus que multiplique garotas como essa minha querida “filhinha” Nath. Já disse a ela que mantenha essa visão… vai longe Nath.

http://www.casuismo.wordpress.com – O Blog do Gill. Quem não conhece o Gill levanta a mão? Acredito que seja o cara mais famoso da Blogosfera. Com seu estilo bem humorado mesmo com temas complicados, ele consegue trazer um sorriso nos momentos mais oportunos. Demais! Grata por sua existência garoto!

http://www.lendomuito.wordpress.com – O blog do Alex. Como o próprio nome do blog relata. É um leitor voraz e com um talento incrível para a criação de acróstico que eu jamais imaginei que pudesse vir a ser uma poesia tão linda. Parabéns!

http://www.livrosevitrolas.wordpress.com – Marina e Luana fazem uma dupla de garotas super antenadas e super inteligentes. Sempre que posso visito para ver sobre o que elas estão falando. Eu, particularmente admiro muito jovens que sabem expressar através da escrita o que pensam, que sentem. Neste mundo tão caótico e com uma educação tão sofredora como a nossa; “ler” essas garotas é um colírio para os olhos.

http://www.toqsutil.wordpress.com – O blog da Agda. Um cantinho muito elegante e cheio de maturidade. Sempre leio o que ela escreve. Admiro também a jovialidade e o pensamento tão crítico e seguro.

http://www.eduardanaidel.wordpress – Um blog muito sério e um oásis para os amantes da psicologia. Sou e sempre serei muito apaixonada por essa ciência e tudo que me leva a agregar um pouco mais de conhecimento me cativa. Apesar de tratar tema do gênero, ela escreve num tom tão suave que abre as “portas” da psicologia para todos.

http://www.bohochic2015.wordpress.com – O blog da Kênia. Confesso que conheço pouco. Mas, das vezes que visitei fui surpreendida com excelentes postagens sobre decorações, moda, variedades. Adoro ler sobre este tipo de assunto às vezes, nunca se sabe quando vai precisar usar uma dica assim. Queria ser mais “descolada”, mas eu não tenho muito jeito com essas coisas de moda. Mas, gosto de ADMIRAR… 

http://www.boasconversas.com – O blog da Mônica é realmente um lugar que você pode ter uma boa conversa escrita. Gosto de sempre dar uma passadinha pra saber sobre o que ela está “conversando”. Gosto particularmente da sessão “Bom livro” – Por que será, né? rs

http://www.papodefran.comO blog da Francine é outro lugar que gosto de pousar os olhos. Uma excelente escritora e uma pessoa muito simpática.

http://www.quasemcrise.wordpress.com – O blog da querida Vanessa, outra garota super inteligente, antenada e muito criativa. Seus posts são sempre muito versáteis e úteis. Um show! E quem dera que todos tivessem um gosto tão “antiquado” quanto o dela (palavras dela).

Acredito que foram esses que me indicaram. O wordpress não facilita a vida das pessoas – não tem um filtro nos comentários para poder encontrar todos… não fazem ideia do trabalho que é para achar isso depois de dias… rs

E obviamente que minha indicação vai para todos estes que me indicaram, pois são sem dúvidas grandes personalidades e que somam muito com seus talentos em nossas vidas. 

OBRIGADA A TODOS.

 

Por fim para não quebrar a tradição… a história do Prêmio Dardos e as regrinhas.

O Prêmio Dardos é um selo virtual que foi criado no ano de 2008 pelo escritor Alberto Zambade, autor do Blog Leyendas de “El Pequeño Dardo” El Sentido de las Palabras.
Ele criou esse selo no intuito de reconhecer os esforços e o talento de Blogueiros no dia a dia, ao estarem divulgando e distribuindo conhecimentos culturais dos mais diversos. E esse selo desde então vem se tornando uma grande corrente, unindo Blogs e blogueiros, e fazendo muitos que ainda não se conheciam, se conhecerem.
Fico muito feliz em fazer parte dessa corrente.

Regras do Prêmio Dardos

– Indicar os blogs que preencham os requisitos acima para receber o prêmio.
– Exibir a imagem do selo.
– Mencionar o blog de que recebeu a indicação e pôr o link dele.
– Avisar aos blogs escolhidos.

E além dos que me indicaram gostaria de indicar também os seguintes blogs:

Os Benefícios de beber café – O blog da Leh né… Adoro o estilo dela. Uma garota muito verdadeira e batalhadora. Outra que precisa entrar na lista das “multiplica Senhor”… rs Um verdadeiro tesouro para a humanidade.

O blog do Palhão – O blog do Lucas. Acho que até dispensa comentários. O cara é muito criativo e acima de tudo promove uma interação muito boa entre os outros blogs dando oportunidades para criações literárias incríveis. 

Fabulônica Quem é Juliana Lima? Ah, aquela garota tímida que quando decide fazer algo arrasa em todos quesitos… E eu quero ler logo o livro que ela está escrevendo… Gente vamos fazer corrente… escreve Ju…E se alguma editora ler esse post não sabem o que estão perdendo de dinheiro deixando essa guria perdida por ai… 

Fellipe Mariano – Adoro o jeito que ele escreve. O cara é muito bacana e ganhou mais ainda minha admiração quando participou do Quatro por 4. 

Curioosamente – O Blog da Elaine Reis. Um pessoa que tenho descoberto ser uma grande pensadora e escritora. Adoro ler as resenhas dela e suas indicações de livros são perfeitas.

Pulha do Cafundó – O blog do Laércio Becker. Um escritor muito criativo e inteligente, é praticamente um filósofo incrível.

Bom Pessoal  por hoje é isso.  Desejo a todos um lindo dia e uma ótima semana.

Afetuosamente

Laynne Cris

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