Sobre Jean Piaget (Anexo)

Anexo referente ao texto – O desenvolvimento mental da criança.

JEAN PIAGET

Jean Piaget, como já mencionado no texto principal, através de seus estudos sobre Epistemologia Genética, agregou grandes valores na área da educação. Apesar de sua atuação ser apenas no âmbito da epistemologia, psicologia e biologia, suas descobertas foram fundamentais para que os conceitos educacionais evoluíssem. Piaget nunca chegou a lecionar para crianças e, segundo Murani (2010, p.11), ele não se considerava um pedagogo, declarava que: “Em matéria de pedagogia, não tenho opinião” (MURANI, 2010, p.10).

Ainda assim, suas descobertas revolucionaram o mundo educacional, com cerca de 70 livros publicados e inúmeros artigos.  Formado em biologia, psicologia e epistemologia genética. Nasceu em 1896, na cidade de Neuchâtel, Suiça. Filho de um historiador, especializado em história medieval, se interessava, quando criança, por mecânica e pássaros. Uma de suas primeiras pesquisas começa ainda na infância, quando publica um artigo sobre um pardal albino. Com esse artigo surge a oportunidade de trabalho e inicia sua experiência profissional como ajudante num Museu Zoológico, em um estudo da sistemática dos moluscos. Piaget considera esta experiência impactante para a sua pesquisa e para o seu interesse na gênese do conhecimento.

O estudo de nome “esboço de um neopragmatismo”, desenvolvido ainda na adolescência por influência de seu padrinho, demonstra o caminho que tomariam os pensamentos de Piaget no tocante a sua obra, conta Augras (1977) em um artigo em homenagem aos 80 anos de Piaget.

Mais tarde destacou-se na área de pesquisa científica com seus estudos sobre zoologia. Toda sua vida acadêmica passa a ser centrada no método científico e, aos 21 anos, obtém licenciatura em ciências naturais.

Segundo Murani (2010, p.13-14), Piaget considerava o método científico o caminho mais legítimo para o conhecimento, portanto, seu compromisso em dar uma explicação biológica acerca da construção do conhecimento o direciona a levar o método científico para dentro da escola.

Piaget concentra suas pesquisas no campo da biologia e da epistemologia genética do estudo da inteligência. Em 1919, adentrou no campo da psicopatologia, tendo como influências, teóricos como Freud, Jung e Pfister.  Entretanto, é quando vai trabalhar em Paris, nos laboratórios fundados por Binet, que Piaget dá um passo importante para o fundamento que sua pesquisa precisa, a riqueza do pensamento infantil.

Os laboratórios de Binet eram locais de teste de raciocínio. Piaget é convidado a padronizar estes testes, conhecidos como “raciocínio de Burt”.

Augras (1977, p.3) relata que Piaget considera “sorte extraordinária” essa experiência. No laboratório se depara, pela primeira, vez com a oportunidade de avaliar o pensamento infantil. Observava enquanto as crianças construíam concretamente os conceitos de inclusão, adição, multiplicação por classes, algo que é difícil compreender de maneira abstrata. Adapta à sua pesquisa genética o modelo lógico-matemático.

Em Genebra, Piaget aprofunda sua pesquisa interrogando as crianças em seu meio de vida normal. Diferente da atuação em Paris, no qual, seu trabalho era realizado com crianças hospitalizadas (MURANI, 2010, p.15).

E, é na escola “A casa das crianças”, do Instituto Jacques Rousseau, que inicia uma investigação sistemática da construção psicológica dos principais conceitos de inteligência, observando e interrogando crianças saudáveis num ambiente escolar.

Outro fator de impacto na pesquisa de Piaget, citado por Augras (1977, p.4), é acerca do estudo dos processos cognitivos da primeira infância realizado a partir da observação dos filhos, Laurent e Jacqueline. Com base nestes estudos levanta a hipótese de que as observações simbólicas se fundamentam no domínio das operações concretas.

Em 1929, assume o cargo de diretor do Bureau Internacional de Educação (Murani, 2010, p.15), fato importante para sua carreira, uma vez que o leva a pensar num grande projeto de uma educação internacional, ligado a UNESCO. Muito dedicado à pesquisa e ao exercício de sua função de professor universitário de psicologia experimental, recebe vários títulos de doutor honoris, em Soubornne, Harvard, Bruxelas e também no Rio de Janeiro. Mais de vinte universidades concedem graus honoríficos para Piaget em diversos países.

Aos 50 anos dedica-se mais a investigações no campo da Epistemologia Genética, ministra aulas dessa disciplina em Soubornne e, a partir de 1963, dedica-se exclusivamente às atividades do Centro Educacional de Epistemologia Genética, fundado por ele em 1956.

A valorização da teoria de Piaget, citada no início do texto, se faz por possuir um vasto material de pesquisa e de estudos de desenvolvimento humano comprovados cientificamente. Uma teoria que abrange diversas áreas do saber, pois é possível, depois de compreendida, aplicá-la em qualquer segmento em que se constrói o conhecimento.

Referências Bibliográficas

AUGRAS, Monique. Jean Piaget. Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada, Rio de Janeiro, v. 29, n. 2, 1977. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/abpa/article/view/17815>. Acesso em: 22 de outubro de 2014.

MURANI, Alberto. Jean Piaget. Tradução e organização: Daniele Saheb. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010 (Coleção Educadores).

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