O professor e a Educação Inclusiva

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Por Laynne Cris (Este texto é um fragmento do meu portfólio de estágio supervisionado – Licenciatura em Pedagogia) 

“Primeiro traçou uma pista de corrida, uma espécie de círculo (“a forma exata não tem importância”, ele disse) e depois todo o grupo foi espalhado pela pista, aqui e ali. Não houve “Um, dois, três e já”: começaram a correr quando bem entenderam e pararam também quando bem entenderam, de modo que não foi fácil saber quando a corrida havia terminado. Contudo, quando estavam correndo já havia uma meia hora, e completamente secos de novo, o Dodô de repente anunciou: “A corrida terminou!” e todos se juntaram em torno dele, perguntando esbaforridos: “Mas quem ganhou?” (CARROLL, 2009, p. 36).

 

A citação acima é um trecho do capítulo 3 de Alice no país das maravilhas. A situação narrada se trata da corrida que o pássaro Dodô sugeriu para que todos ficassem secos após terem se salvado do mar de lágrimas da Alice. Vários animais estavam molhados e cada um tenta sugerir uma forma para que tornem a ficar secos antes que fiquem doentes. Dodô diante de várias propostas e tentativas falhas sugere que a “assembleia seja adiada e partam para a adoção imediata de remédios mais drásticos” (CARROLL, 2009, p. 35).

Ao comparar a corrida sugerida por Dodô aos animais e a Educação Inclusiva podemos analisar que o objetivo é igual para todos – na corrida todos queriam ficar secos. Na escola, todos que estão na sala de aula querem/precisam aprender ler e escrever independente de suas habilidades.

Portanto, cada um tem um perfil, uma característica única e, logo não se deve ter um padrão de normal ou de anormalidade no que refere-se ao processo de como atingir o objetivo final – a aprendizagem. Se somos diferentes, logo não será de maneira uniformizada que um grupo fará determinada atividade.

Uma das maiores dificuldade da inclusão[1] é a falta de preparo do profissional (tanto nos estudos quanto na própria prática docente) acerca de como lidar com situações atípicas do dia a dia e as inúmeras necessidades diferenciadas apresentadas por cada tipo de aluno, que por assim ser demandam um fazer diferente do comum, um fazer diversificado e de ampla abrangência.

Outra questão a colaborar com o insucesso da inclusão é número elevado de alunos que dificulta na hora de avaliar cada história em particular; pode-se também eleger a falta de material pedagógico (uma vez que não se sabe como agir e o que fazer; obviamente não se saberá o tipo de material adequado que deve preparar), e outro fator que colabora para as dificuldades da inclusão é a de ordem social e econômica, ou seja, a necessidade dos professores terem mais de dois empregos para aumentar a renda.

Fator que acaba colaborando para a falta de tempo hábil para uma preparação das aulas e ao acúmulo de estresse. Por conseguinte o aprimoramento em assuntos relacionados à inclusão não será tido como prioritário dentro de tantas outras necessidades também urgentes que rodeiam o professor, como: alunos que passam de ano sem saber ler, a indisciplina, as imensas demandas burocráticas que o professor tem que dar conta, os problemas de relacionamento do dia a dia, sem falar nas relações interpessoais dentro das unidades de ensino,etc. Vemos através dessa simples exposição de alguns fatos que se não houver um trabalho em equipe e muito bem organizado o insucesso é o único resultado a se obter no final de uma jornada.

 A falta de planejamento gera insegurança, o que torna qualquer empreendimento num verdadeiro caos. E no que compete a lidar com pessoas/alunos, em que precisam compreender/sentir que o professor está comprometido com eles e que sabe o que faz; torna a falta de um plano/preparo um grande aliado para o insucesso do processo ensino-aprendizagem no geral, além de contribuir para o sentimento de frustração do profissional.

O professor como um facilitador da aprendizagem precisa antes mesmo da competência específica, ser um bom observador e pesquisador. Nos dias atuais diria até que um professor têm que ser dotado de uma enorme fé, disposição e de valores essenciais à valorização da vida humana.

Aprender a buscar conhecimento autônomo para solucionar as dificuldades ocorridas durante o processo é um diferencial para a experiência – aprender através da reflexão da prática.

É certo que não se pode conhecer tudo e jamais também devemos ignorar tudo, mas devemos ter o cuidado de nos organizar para aprender a aprender sempre; algo que em síntese nomeia-se de formação continuada. E acima de tudo buscar por ter uma qualidade de vida lembrando que o processo de inclusão ainda é um bebê a caminhar e que infelizmente temos que aprender através de erros e da superação de alguns obstáculos. 

“O amor nos torna aptos a enxergar o que os olhos não nos permite ver. Ame aquilo que faz para que haja verdade em vossas palavras”.

Laynne Cris

Referências

CARROL, Lewis. Aventuras de Alice no País das Maravilhas; Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá. Ilustrações originais de John Tenniel; Tradução Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro:Zahar, 2009.

[1] Todas as observações ditadas no texto são concernentes a observação de aula em todas as salas em que estive presente durante o estágio obrigatório em várias escolas.

NOTA IMPORTANTE: Conheça o História da Legislação sobre a Inclusão no artigo no link abaixo:

http://www.todospelaeducacao.org.br/reportagens-tpe/31129/conheca-o-historico-da-legislacao-sobre-inclusao/

 

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