A Conversa

A conversa

De onde estava, Adelaine, ouvia nitidamente uma conversa animada que vinha de algum lugar ali bem próximo. Sonolenta não conseguia distinguir se as vozes vinham do lado de fora do quarto ou se vinham de dentro de sua cabeça.

Embora não pudesse compreender o que as vozes diziam, às vezes, ouvia risinhos. Pareciam ser de dois seres ainda pequenos. Talvez fossem vozes de crianças. Teve a impressão que pareciam estar mais perto a cada instante.

“hi…hi…hi… cê tá veno Vitinho?” – dizia uma voz pequenina e melodiosa, parecia ser de uma menininha de uns quatro ou cinco anos.

Em resposta ouvia apenas risinhos. Eram risos felizes por alguma coisa que observavam. Os pequenos ruídos dos lábios da outra criaturinha denunciaram que mal dominava a fala.

“oia lá, veja Vitinho! Lá em cima, bemmmm lonjão. São as nuvês. Você sabe o que é as nuvês, Vitinho?” insistia a pequena professora com sua aula expositiva.

Adelaine se vira na cama e começa a despertar. Sente as pálpebras um pouco pesada. Continuou ouvindo a conversa. Sorriu. Tentou abrir os olhos. Uma pequena claridade invadia o quarto devolvendo-lhe a consciência de que já havia amanhecido. “Estou em casa” – pensou.

A conversa do lado de fora ficou mais clara para Adelaine, que agora podia identificar os pequenos perturbadores do seu sono. Levantou-se e caminhou até a cozinha. E enquanto colocava água para fazer o café, prestava atenção no diálogo animado dos pequenos tagarela no andar de cima.

Sabia que é das nuvês que cai a chuva, Vito?” – perguntou a menina toda cheia de ar de sabichona.

“dê a chuva, elô?” – um balbucio sai do outro interlocutor.

“ah, Vito… não é agora não. Só quando Deus quer molhar as plantinhas. As nuvês é dele, sabia disso?”

“dê ele?” – perguntou num tom de curiosidade, como que se ao olhar ao redor pudesse encontrar a figura de Deus.

“ele não tá qui não. não vai dá pra ver não. Ele é ocupado. Mas, quando chovê a gente vem ver a chuva, tá!” – a bela duplinha foi interrompida quando a avó os chamou para entrar para tomar o café da manhã.

Adelaine abriu a porta, segurou a xícara de café com as duas mãos. Os raios de sol da manhã estavam suaves e mornos, pareciam fazer-lhe uma carícia na pele. Inspirou o ar suavemente e sorriu feliz, e por um momento ficou ali parada refletindo com paixão sobre a doçura e a crença inocente de uma criança.

“Que saudade de ser criança!” – pensou enquanto solvia um gole de café e olhava o céu com suas nuvens que pareciam caminhar tranquilamente para alguma direção além da vista.

Sonho Meu – Jose Augusto

Ótimo fim de tarde – Um lindo domingo

Uma homenagem para a criança escondida dentro de nós!

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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22 respostas para A Conversa

  1. Lobo Invernal disse:

    Sabe, o conto lembrou muito a vida de minha namorada, bom, ele tem dois sobrinhos, filhos do seu irmão, o menino chamado Vitor e a menina Sofia. A Sofia é meio sonhadora, quando, por exemplo, vê uma borboleta sai correndo atrás, tentando pegar, enquanto o Vitor é todo espevitado e gosta de brincar de coisas perigosas rsrs. A família dela é extremamente religiosa [Católica], e ela tinha uma vó que, infelizmente, faleceu ano passado por consequência de um câncer no pulmão. Ela era o pilar da família e sempre ensinava a todos a crença em Deus, tanto que tinha sua capelinha no quintal da casa onde deixava velas acesas e fazia suas orações. Mesmo eu que não tenho a crença em Deus de forma como as pessoas têm, conseguia ver no olhar dela a importância da fé. Ela era a única que não me criticava por causa do meu jeito de ser: quieto, na verdade eu sofro de fobia social, mas as pessoas não me conhecendo de imediato me julgam como antipático, ou tímido. Ela não, sempre me respeitou e deu força em relação ao meu namoro. Achamos até que, antes de falecer, ela pediu para a mãe de minha namorada não ser contra nosso relacionamento e parar de me tratar mal. Sentimos isso. Sério, o conto me emocionou e olha que essas pessoas nem são meu sangue, realmente família são pessoas que a gente escolhe na vida.

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    • laynnecris disse:

      Que comentário lindo! Realmente uma bela história a sua. Não sou religiosa também, mas acho acreditar em algo é válido (quando faz bem).

      Esse conto é baseado em fatos reais… Tinha uns vizinhos aqui em casa e essa conversinha dessa figurinhas é real. Acho lindo ouvir a conversa das crianças e apesar de ignorar muitas coisas ainda na vida, tem algo que nós, os adultos, vamos perdendo ao longo de nossa jornada – esse olhar maravilhado pelas coisas… enxergar o belo em tudo (ou ver o lado bom de cada coisa).
      Viver em sociedade e conseguir sentir-se parte de um grupo é algo que é bastante trabalhoso. Parabéns por conseguir encontrar o seu lugar. O amor é uma linda força capaz de unir os mais diferentes…

      Abraços

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  2. luciogoldfarb disse:

    Muito bom, delicado e tocante.

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  3. J∀K disse:

    Maravilhosamente bem escrito!

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  4. Lua Andrade disse:

    Elaine, adorei o conto e realmente nos traz uma paz saudosa da infância. Ao menos a mim, sim!!
    Parabéns, espero sempre ler textos assim 🙂 Beijos 🙂

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  5. Laércio Becker disse:

    Muito bom seu texto, esse lirismo que envolve o mundo infantil é fascinante e vc conseguiu captá-lo brilhantemente.
    Falando nisso, vc já leu “Criança diz cada uma”, do Pedro Bloch? Eu só li alguns trechos, há muito tempo. É um outro viés, mas…

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  6. Você escreve tão lindamente Lay, e sua escrita é tão leve e ao mesmo tempo tocante, amei demais!!
    Um beijão minha querida ❤

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  7. Juliana Lima disse:

    Que lindo Lay!
    As crianças são mesmo seres cheios de imaginação e simplicidade.
    Ai que Saudades que eu tenho da aurora da minha vida
    Da minha infância queria que os anos não trazem mais. ”
    Se soubéssemos o quanto a infância deixaria saudade, teríamos aproveitado até não sobrar mais nada de nós.
    Belíssimo historia Lay. 💜

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  8. rodrigoserrao disse:

    Texto maravilhoso, parabéns! Hei te indiquei pra uma tag: https://umdropsliterario.wordpress.com/2016/02/23/duas-tags-em-um-post/

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  9. Que texto lindo Laynne, bem sensível e tocante, além de lindamente escrito! Arrasando como sempre! Parabéns!

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