A Abadia de Northanger

abadia de NorthangerAUSTEN, Jane. A Abadia de Northanger; tradução Roberto Leal Ferreira. – São Paulo: Martin Claret, 2012 (Coleção Jane Austen: literatura universal; 5)

MINHA PAIXÃO POR JANE AUSTEN

Esse livro “A Abadia de Northanger” foi o terceiro livro que leio da Jane Austen. Meu conhecimento sobre Austen ainda era bem pequeno, considerado que é uma das grandes escritoras de seu tempo e seus romances muito bem avaliados pela crítica e tem mais de 200 anos que escreveu seu último romance “Persuasão”, um ano antes de falecer .

O primeiro que li foi “Persuasão¹” que era um dos livros preferidos da personagem Kate no filme “A casa do Lago”. No momento em que Kate (a personagem) falou sobre o romance me despertou um grande interesse de conhecer os livros escritos por Jane Austen.

O segundo livro que li foi “Razão e Sensibilidade”, apesar de ter gostado muito senti um pouco de dificuldade para me habituar com o contexto. Então, antes de prosseguir com minha aventura de descobrimento dessas maravilhosas obras pesquisei acerca da época vivida pela autora (1775-1817), o gênero de suas obras, o senso narrativo e o ritmo narrativo. Assisti alguns documentários, inclusive a um que é sobre o museu que existe hoje da casa da Jane Austen e li um pouco mais sobre sua biografia.

Portanto, meus comentários são de uma leitora apaixonada por romances de época e literatura inglesa, e profundamente curiosa por viajar por mundos (ao passado) que são impossíveis de se estar sem o legado de uma boa literatura e de livros de histórias.

A primeira impressão que fica ao ler Jane Austen, é que sua escrita mais parece-se com uma conversa entre leitor e escritor. Ela vai aos poucos apresentando seus personagens e criando o contexto que é possível ir se formando uma imagem nítida no campo de nossas ideias, como se fosse uma tela de cinema mesmo, sabe?

Ler Austen é quase uma fuga da realidade, uma viagem de regresso ao tempo. Confesso que chego a ouvir as músicas dos bailes e risinhos das “moçoilas²” diante de alguns pretendentes, as conversas das matronas, etc.

E por outro lado ainda temos a riqueza de uma narrativa é impregnada de ironia e sarcasmo, sim ela tece de forma sutil e despreocupada uma severa crítica a sociedade e a moral conservadora sobre o bom costume e em como se considerava um comportamento saudável do ser humano.

Faz críticas sutis aos preconceitos das classes da burguesia e da alta sociedade. Num geral Jane recria o retrato da sua época e podemos através de suas heroínas conhecer suas percepções e opiniões sobre tudo.

Essa personificação em suas obras é justificada ao conhecermos um pouco mais sobre sua educação. Seu pai era um reverendo e lhe deu aulas em casa, assim com também sua casa recebia garotos que também para dar aulas, tanto o ensino sistemático, como a educação dos bons costumes, muito valorizado nesta época.

SINOPSE

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Escrito quando Jane Austen era muito jovem e publicado postumamente em 1818, A abadia de Northanger é sem dúvida uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil, tendo como pano de fundo a cidade de Bath. O enredo gira em torno de Catherine Morland, que deixa a tranquila, e por vezes tediosa, vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath do final do século XVIII.

Catherine é uma jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz dos romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances, especialmente os escritos por Ann Radcliffe.

Jane Austen faz um ótimo constraste entre realidade e imaginação, vida pacata e as situações sinistras e excitantes que os personagens de um romance podem viver.

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A LEITURA DO LIVRO

Agora posso mencionar minhas impressões acerca do livro “A Abadia de Northanger”. Sem dúvida é um excelente romance. A estória toda é construída a partir da vida de uma jovem nascida em família de pouca renda e de muitos filhos.

Catherine é uma menina ingênua e muito “moleca” e cresce fugindo dos padrões que se espera para se tornar uma “grande” dama. Espontânea, ingênua, ignorante sobre muitas coisas, porém se aceita como é, e confessa isso sem muitas dificuldades.

Por que isso é algo que considerei importante citar? Porque as pessoas retratadas na estória tentam mascarar algo que não são. Exceto a Catherine, que de tão sincera acaba sendo alvo de “mal” comportamento.

Quando li, fique tão compenetrada na história que até criei a minha “Catherine”.

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Continuando…

A família “Os Morlands” são amáveis e o pai é bondoso e Catherine se vê abrigada e amada. Mas, é uma sonhadora e quer ser uma heroína tal como as moças em seus livros de romance e por esse motivo vive arquitetando uma foram de conhecer outra cidade.

Outra característica que faz o livro ser imperdível, o grande número de citações de grandes nomes da literatura que a protagonista ama e nem tanta coisa é capaz de lhe dar mais prazer que a leitura de seus livros. Um dos romances que ficamos a par é The Mistery of Udolpho, romance gótico de Ann Radcliffe.

Nota: Inclusive a editora PEDRA AZUL lançou no ano passado (2015) o livro “Os mistérios de Udolpho Vol. 01, livro que é a base para grande parte das invenções mentais da nossa querida Catherine.

Quem quiser ler a sinopse deste livro “acesse aqui”.

Durante a narrativa os personagens têm diálogos riquíssimos sobre a obra de diversos nomes da literatura e sobre os autores de que mais gostam.

Voltando a parte principal – Catherine tem a oportunidade de enfim tentar viver uma aventura, tal qual a vivida por suas heroínas. E tomamos ciência disso através da narrativa esclarecedora de Jane que assume o papel do “narrador onisciente e vai nos contando as intenções e os sonhos da moça.

Catherine segue para Bath (uma cidade bastante usada por Jane para mover seus personagens, em Persuasão Anne está em Bath quando o capitão Wentworth vai encontra-la em busca de uma última chance) e em Bath que Catherine inicia suas amizades e nasce o encantamento por Henry Tilney.

Neste livro Jane foi bastante generosa na construção deste personagem lhe atribuindo poucos defeitos (Henry é tipo o homens dos sonhos de qualquer garota. Importante lembrar que neste livro temos uma Jane jovem).

Tirando o preconceito acerca da inteligência feminina podemos ver que Henry Tilney é um homem muito sábio e bastante sensato, apesar da pouca idade e ele coopera muito para o crescimento intelectual e pessoal de Catherine, que é ainda muito imatura e imprudente.

Como Catherine é fã de Radcliffe, ela tem uma imaginação fértil e se deixa conduzir por essa imaginação. E quando ela chega em Northanger o suspense paira e as lições que ela aprende são muito empolgantes e prendem a atenção do leitor a cada página. O que considero uma ótima sacada da Jane esses picos de suspense, pois por se tratar de uma estória da vida cotidiana poderia ficar uma leitura enfadonha e chata.

Nos 31 capítulos você é capaz de compreender os costumes, os hábitos, algumas curiosidades, tradições e muitas outras coisas quando se depara com cada um dos personagens que são secundários dentro da estória. Já ouviu falar em retrato escrito? Pois é! A Jane Austen é mestre nesta arte.

Catherine vive cercada pela inveja, falsidade, egoísmo, interesses e todas as situações que se pode esperar de uma sociedade. E apesar dela ser uma moça ingênua, ignorante e insensata acompanhamos o seu amadurecimento, e às vezes é possível se identificar com ela em algumas situações. Assim como podemos recriar como a história poderia ter tomado outro curso caso o comportamento dela fosse outro. 

É  um belo romance e uma linda viagem a Inglaterra do século XVIII com direito a aulas de literatura, filosofia e um lindo retrato das lindas paisagens desse período tão rico da história da Inglaterra. 

avaliação

1- Austen, Jane. Persuasão; tradução de Celina Portocarrero. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.
2- Maneira comum que a Jane Austen usa no seus romances para se referir a jovens senhoritas entre 16 e 24 anos.

Boas Leituras

Beijos

Laynne Cris Andrade

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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12 respostas para A Abadia de Northanger

  1. Um dos livros da Jane mais irreverentes, ela fez uma abordagem engraçada e cômica do “Os Mistérios de Uldopho” que logo teremos em mãos pela Editora Pedrazul (estou aguardando ansiosamente). Eu gosto muito de Abadia de Northanger a história é linda! Ótima resenha.
    Beijos

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pingback: Jane Austen – 240 anos | Meu Espaço Literário

  3. Silvia Souza disse:

    Acho incrível seu amor pela obra de Jane Austin… acho que tenho minhas paixões assim também…
    Aproveitando… você desenha supre bem! Já tinha te falado ontem, e o desenho que está aqui, apenas confirma!

    Curtido por 1 pessoa

  4. E esse seu amor incondicional por Jane Austen continua, e você me deixou com vontade de ler, trabalhos publicados postumamente sempre são bons, no mínimo surpreendentes, dá aquela impressão de que se não foi publicado, é porque tem um certo algo a mais que só lendo descobriremos!

    Curtido por 1 pessoa

    • laynnecris disse:

      Esse livro tem uma história legal. O editor que comprou ficou com a posse do direito autoral e não quis publicar. Quando ela já estava famosa e Orgulho e Preconceito já era bem reconhecido, foi ao editor e seu irmão pediu pra comprar de volta o direito do livro e disse que era a autora de Orgulho e Preconceito… tipo assim: – Viu seu trouxa, não quis publicar perdeu a chance de lançar uma grande escritora! rs

      Nunca vou deixar de gostar de JA!

      Curtido por 1 pessoa

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