O Som e a Fúria – Willian Faulkner

som e furia capa

FAULKNER, Willian. O som e a Fúria. Tradução de Paulo Henrique Britto. São Paulo: Cosac&Naify, 2014.

A leitura deste livro, O SOM E A FÚRIA, é mais uma da série Leitura Compartilhada que tenho realizado com a Silvia Souza do Blog Reflexões e Angústias. Nossa primeira leitura foi “O Amante de Lady Chatterley” do escritor inglês D.H. Lawrence. Quem quiser conferir a resenha acesse aqui, ou através da “Biblioteca Meu Espaço Literário”, no canto direito na página inicial.

O motivo da escolha deste livro é louvável – quem acompanha o blog da Silvia sabe que ela tem colocado como prioridades para a escolha dos livros a ler, escritores que ganharam o Nobel. E o Faulkner é um desses e ela quis compartilhar comigo.

E serei grata a ela eternamente por ter me dado à oportunidade de descobri um escritor tão fantástico. E uma das razões, dentre as várias que escrevo minhas impressões das leituras, é exatamente essa – proporcionar ao leitor o conhecimento de algum livro ou escritor que vale a pena ser lido.

linha divisória

Abaixo a sinopse de “O som e a Fúria”.

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Abalado com a recusa dos originais dos seu terceiro romance pelas editoras, Faulkner isolou-se. Nesse período, nasceu “O som e a Fúria”, considerada em geral sua obra mais importante: “Quando comecei o livro, não tinha nenhum plano. Eu nem sequer estava escrevendo um livro. De repente, parecia que uma porta se havia fechado, em silêncio e para sempre, entre mim e os endereços dos editores, e eu disse a mim mesmo: ‘Agora posso escrever. Agora posso simplesmente escrever’”.

A noção de escrever contra um ponto de resistência, de querer cercá-lo e atingi-lo de vários ângulos, engendrou o movimento original do romance e também a sua conformação final. Pois as quatro partes que o compõem constituem investidas, de direções e de índoles distintas, contra um mesmo foco de inquietação.

Faulkner, a princípio, tenta eliminar as perspectivas clássicas de tempo, espaço, causalidade e até de sintaxe e de pontuação, como quem toma, uma a uma, as armas do inimigo. É preciso deixá-lo sem defesa, e assim a primeira voz do romance cabe a um retardado mental que registra percepções imediatas e pensamentos semiformados, sem hierarquia e sem critérios de atenção. Trata-se do idiota, implícito no título, extraído da passagem de Macbeth em que se diz que a vida é “uma história cheia de som e fúria, contada por um idiota e que não significa nada”.

Em lugar de planos de tempo bem marcados, vive-se uma espécie de presente em estado bruto. A experiência de inserir-se nessa perspectiva e de, através dela, conhecer as agruras do seu processo de desagregação e de extinção, constitui um dos trunfos que deu vida longa ao romance.

Em contraste, Faulkner descreve a rotina de trabalho da velha criada negra da família de modo a pôr em relevo as virtudes necessárias para resistir em tais condições. Sua presença pesa como a ferida aberta dos tempos da escravidão. Exatamente por isso está reservada a ela a única imagem de redenção possível, no romance.

Entre ideais de nobreza pueris e arroubos de ódio e de ganância que beiram o demoníaco, a velha família põe fim ao que resta de si mesma. O clima de quase delírio construído com maestria é a expressão derradeira da ruína de um grupo social, cuja síntese está no grito incontrolável do idiota na penúltima página: “puro som, uma agonia sem olhos e sem língua”.

Rubens Figueiredo – Cosac & Naif

leitura compartilhada

Eu e a Silvia procuramos sempre adaptar a melhor maneira para ler compartilhado sem que ocorram prejuízos do prazer da leitura. E, cada livro tem suas diferenças. Verificamos a editora, o número de páginas e como o livro é dividido, etc.

“O Som e a Fúria” é dividido em quatro partes e com um foco narrativo bem peculiar – o fluxo da consciência.

fluxo da consciencia

Confesso que para me preparar para essa leitura foi preciso fazer algumas pesquisas e estudar um pouco o estilo do autor e sobre a temática do livro. Sem esse cuidado acho que não teria aproveitado a leitura.

Tomado os devidos cuidados agendamos o prazo de leitura da parte combinada, e realizado, enviamos uma à outra nossas considerações da parte lida. E conforme o tema cativa prolongamos o assunto quando julgamos necessário. Tem sido muito gratificante, além de agregar um grande valor à leitura e ao conhecimento mútuo acerca de nos mesmo.

o som e a furia

Pra começar, posso afirmar que “O som e a Fúria” é um livro excêntrico: quem decide ler encontrará pela frente – um enorme desafio! Trata-se de um grande quebra-cabeça de pensamentos e fragmentos de acontecimentos.

Quem gosta de enigmas vai se maravilhar e ficar extremamente fissurado para desvenda-los. Mas, não crie muitas expectativas, pois propositalmente, este livro, foi concebido para que o leitor contribua com suas ideias e impressões para que possa construir toda a história encoberta nas entrelinhas. Então, use a imaginação!

Faulkner foi ousado em desenvolver um enredo totalmente descomprometido com o padrão literário de sua época. Conforme pode ter lido na sinopse da editora, este livro não atende em nenhum dos padrões clássicos da narrativa – tempo, espaço, causalidade, a sintaxe, a pontuação, a ortografia, etc.

A estrutura da narrativa assemelha-se ao fluxo de pensamento, com suas idas e vindas do presente ao passado e vice-versa. Ficamos por vezes diante de uma ação que acontece no presente e na mesma frase o autor retorna ao devaneio da personagem, outras vezes as frases não são finalizadas e é neste ritmo que toda a narrativa é construída – aos pedaços.

Precisamos focar a atenção nos detalhes que são colocados por toda a parte, para que possamos ir formando a ideia do que ocorreu com os personagens e a família, assim como compreender o que está acontecendo com o personagem-narrador, tipo: sua personalidade, quem ele é, o que está sentindo e qual é a conclusão que ele tira de alguns fatos.

O livro narra á história da família Compson, que vem se dissolvendo a medida com que o tempo passa. Pontuando historicamente a queda da aristocracia e o fim da escravidão. Os Compson são uma importante família do condado fictício de Yoknapatawpha e toda a trama é voltada a mostrar o declínio da família e da sociedade.

Um dos pontos cativantes que fizeram aumentar o meu interesse para ler Faulkner é que dezessete livros são ambientados neste condado fictício e alguns personagens transitam entre um livro e outro.

Inclusive neste livro o personagem Quentin cita o Coronel Sartoris em um trecho da narrativa na página 170 desta edição. Coronel Sartoris é personagem do livro “Sartoris” escrito pouco antes de O som e a Fúria.

Em Enquanto Agonizo também temos uma relação com o condado. O personagem Darl é levado para Jackson, uma espécie de manicômio onde Jason quer internar Benjy.

Faulkner cria um mundo particular e intitula “Mundo de Willian Falkner, único dono”, segundo a professora de literatura Munira Mutran em programa da Univesp em que explica sobre o livro e sobre o escritor. É um acervo de excelentes histórias, muito bem trabalhadas e de uma criatividade brilhante. Não é a toa que Faulkner recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pela  “poderosa e artística contribuição para o romance moderno norte-americano”, em 1949.

Estrutura do romance

“O som e a Fúria” é divido em quatro partes. Logo na primeira parte iniciamos a leitura tentando compreender um texto todo fragmentado e confuso, e às vezes sem sentido. Mas, por outro lado, é extremamente perfeito e curioso. Pois temos que se colocar na pele de um homem com idade de uma criança de três anos, sendo uma pessoa com problemas mentais e que não compreende sua própria realidade.

“Eles estavam tacando pequenino, do outro lado do pasto. Fui andando junto à cerca de volta para perto do lugar onde estava a bandeira. Ela balançava entre a grama ensolarada e as árvores”. (A percepção de Benjy quando vê os jogadores de golfe correr atrás da bola, eles ficam longe de onde ele esta, e ele não entende a ideia de distância (perto/longe) e pensa que ficaram pequenos – Benjy adorava ir até a cerca para ver o jogo).

Benjamin não fala e seus familiares acham que ele também não ouve. É considerado um grande idiota que só sabe berrar e chorar. Está com 33 anos no dia em que a narrativa se passa – 07 de abril de 1928. Inclusive é aniversário dele, e a Dilsey manda comprar um bolo pra ele. É emocionante essa parte.

Dilsey se importa muito com a Benjy e a família, e também a sua uma irmã Caddy, pela qual ele tem um apego muito grande

Quando comecei a ler o primeiro parágrafo e me deparei com isso, tomei um susto – “Do outro lado da cerca, pelos espaços entre as flores curvas, eles estavam tacando. Eles foram para o lugar onde estava a bandeira e eu fui seguindo junto à cerca. Luster estava procurando na grama perto da árvore florida. Eles tiraram a bandeira e aí tacaram outra vez. Então puseram a bandeira de novo e foram até a mesa, e ele tacou e o outro tacou”.

Pensei: Meu Deus! O que significa isso? Não consegui nem entender o que estava acontecendo, visualizar a cena na minha cabeça, nem nada. Em resposta a essa dificuldade fiz toda uma pesquisa de textos e vídeos sobre o autor e sobre esta obra em especial.

Já a segunda parte, voltamos ao tempo. Faulkner nos leva ao dia 02 de junho de 1910. Conhecemos a mente perturbada de Quentin que está planejando um suicídio. Toda a narrativa nos revela de forma muito mais complexa e confusa a mentalidade de alguém que deseja morrer, chega a ser mais complicada que a primeira parte.

Quentin é um dos filhos dos Compson e não consegue lidar com os problemas da família e nem com os sentimentos incestuosos que tem pela irmã – Caddy. Essa parte é muito cheia de simbologia e um sentimento sombrio de uma pessoa depressiva. Já no início este trecho me chamou a atenção:

“Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo. Porque jamais se ganha batalha alguma, ele disse. Nenhuma batalha sequer é lutada. O campo revela ao homem apenas sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão de filósofos e néscios”. (Pag. 73)

Essa parte do livro é muito apreciada por ser considerada muito parecida com Ulisses de James Joyce. É um jovem estudante de Harvard que sai para passear pelas ruas da cidade e vai pensando sobre sua vida no caminho. Sua mente oscila entre o que esta acontecendo e o que está pensando, tornando a narrativa um amontoado de informações que precisamos organizar.

Na terceira parte acompanhamos agora Jason, outro Compson. Apesar de ser uma narrativa menos fragmentada, mais objetiva e clara, é tensa. Jason é tão perturbado quantos os outros dois irmãos, só que de modo diferente. É um homem muito mal, sádico, rancoroso, ganancioso e muito pretensioso. Temos aqui uma sensação de horror com cada atitude e pensamento que ele tem para com as pessoas que cuidam dele e por todas as demais pessoas. Em especial sua maior vítima é a sobrinha, filha bastarda da irmã, Caddy.

Caddy é aquela personagem muito importante dentro da história, mas que só a conhecemos a partir da visão destes três homens, seus irmãos.

Jason é o personagem que menos é digno de consideração. Todos erraram, todos têm suas culpas, mas ele é o único que não dá pra ter empatia ou concordar em algum ponto com ele.

Em toda a construção da história o escritor faz uso da técnica fluxo da consciência e do monólogo interno. E em cada uma das partes vamos juntando os pedaços da história através dos pensamentos de cada um dos personagens principais. E a partir disso vamos conhecendo as outras pessoas da família e todos os personagens que interagem e são importantes dentro do contexto.

O núcleo principal é composto pelos Compson – Benjamin, Caddy, Jason, Quentin, o tio Maury, a Sra. Compson (Caroline), fala-se no pai, que também se chamava Jason, em Quentin (filha de Caddy), a avó é citada na primeira parte. E o núcleo dos empregados da casa – Dilsey, Luster, Frony, T.P, Roskus, Versh, que também são bastante relevantes para a unidade da história.

Como a narrativa não obedece à linha de tempo e nem do espaço, exige-se que o leitor atente-se para cada colocação que o personagem apresenta, por exemplo, uma lembrança, um pensamento, uma visão, um diálogo e acompanhar com cuidado a ordem que as coisas estão acontecendo dando importância para os tempos verbais, os pronomes e a flexão deles.

Conforme disse no início é um enorme desafio a leitura desse livro, mas foi exatamente isso que me prendeu e me fez devorá-lo em poucos dias. Todo o mistério e as pistas deixadas pelo caminho foram a força motriz para a leitura. Tenho certeza que minhas correntes neuronais dobraram de volume depois do esforço mental fenomenal ao que fui obrigada a utilizar para transformar estes jogos de palavras em um filme na minha cabeça.

E, por fim temos a quarta parte, aqui, o Faulkner entra com um narrador onisciente e vai revelando a história e alguns acontecimentos. É um show de lirismo, intensidade da moral, dos valores, do sofrimento e da contradição que ele via no fim da escravidão e o quanto a pobre Dilsey trabalhou antes de poder ganhar sua chance de ir à igreja num domingo de Páscoa.

“Em seguida, fechou-o e largou-o e pôs-se a empilhar pedaços de lenha no braço encurvado contra o seio, pegou o guarda-chuva e após algum tempo conseguiu abri-lo e voltou aos degraus da porta da cozinha, e equilibrou a lenha precariamente enquanto fechava o guarda-chuva, o qual deixou em pé no canto ao lado da porta. Jogou a lenha na caixa atrás do fogão. Em seguida, tirou o sobretudo e o chapéu, acendeu o fogão. Quando o fazia, sacudindo as grelhas e remexendo as tampas, a sra. Compson começou a chamá-la do alto da escada”. (pág. 259)

Através da Dilsey, Faulkner apresenta que ainda existe salvação para o homem, que há pessoas que tem bom coração e sabem superar as dificuldades sem se tornar más; como acontece com o Jason.

Os Compson estão liquidados. Estão fadados a decadência financeira, moral, social e tudo mais. Acabou. É o fim de uma descendência. E para concluir essa parte outro fragmento muito simbólico que reflete os acontecimentos em O som e a Fúria.

“O relógio tiquetaqueava, solene e profundo. Era como se fosse o pulso seco daquela casa decadente, e depois de algum tempo ele zumbiu e pigarreou e bateu seis vezes”. (pág. 276).

divisor de texto

Considerações

 

O livro é provocante desde a estrutura, do estilo, do formato, das características empregadas ali, várias especulações e espanto ao leitor. Somos induzidos a querer de algum modo compreender o que se passa a cada parágrafo lido, juntar todos os fragmentos desse quebra-cabeça humano e descobrir o que a voz do autor quer revelar.

Mergulhamos em uma época de grandes mudanças sociais, econômicas, filosóficas, de valores e de rupturas. A família Compson é em “O Som e a Fúria” a representante da queda da família aristocrata, da decadência financeira e do status social que fez com que toda a estrutura familiar fosse demolida. E é bem assim que sentimos ao ler esta história, são pessoas vivendo em uma casa, contudo não se conhecem. Vivem num grupo e ao mesmo são sozinhas, cada uma com suas complicações e sofrimentos. Quentin se suicida e nem a mãe conhecia as perturbações da mente do próprio filho, a filha (Caddy) é expulsa de casa por ter engravidado e lhe é roubado o direito de ver a filha crescer, é subornada e extorquida pelo próprio irmão, que a culpa por ter perdido uma vaga de emprego num banco porque o casamento dela não deu certo. Jason é cruel, mas é o chefe da família depois do falecimento do pai, então certo ou errado as coisas são feitas conforme ele quer. A mulher neste contexto não tem voz, é sempre vista como um problema, como objeto, como a parte mais frágil e problemática.

E ainda temos os problemas de saúde que a família vê como uma maldição ou má sorte e o preconceito racial explícito para com os negros, com os camponeses, e também com as pessoas deficientes ou com suas capacidades diminuídas, ou seja, a grande divisão de classe é bastante discutida e mostrada de uma maneira tão verossímil que sentimos cada emoção diante de cada situação dada.

Uma das cenas tocante é quando Dilsey compra um bolo para comemorar o aniversário de Benjy, e na cozinha sem o conhecimento da família; ela o chama para apagar as velas e comer escondido. Mesmo sabendo que Jason vai reclamar, ela demonstra o cuidado e carinho para o membro mais excluído da família.

E através da apresentação dos valores como compaixão, lealdade, força, coragem que vemos através da personagem Dilsey que o autor mostra sua esperança na humanidade. Que apesar do sofrimento, das humilhações frequentes, do desprezo e da miséria, Dilsey ama e cuida da família Compson e se nega a abandoná-lo.

Ironicamente a época tem como temática forte a consolidação da libertação dos escravos e os Compson tentava se libertar de Dilsey e de sua família e nunca conseguem. Pois ela reconhece a necessidade deles e fica ao lado da família até o fim.

A Silvia colocou no último e-mail que trocamos uma colocação muito pertinente quanto a conclusão do final da história. Ela refere-se que a história não é entregue e nem tudo fica esclarecido, ficamos ainda cheios de interrogações e assim como na vida; as grandes obras carregam a incoerência da vida. Faulkner deixa os leitores perplexos e com sua história remoendo na cabeça por dias.

“A vida não tem explicação para tudo e imagino que as grandes obras sejam um reflexo dessas incoerências da vida” – Silvia Souza.

No final do livro, Faulkner criou um apêndice com uma pequena biografia dos personagens principais e a partir dela, encontramos algumas respostas que ficaram em aberto e cabe a nós – leitores, imaginar o que foi que sucedeu com cada personagem, ou o que aconteceu de fato em alguma cena, o qual são várias as que ficamos com muitas perguntas sem respostas.

avaliação

Referências

Dica de Leitura – http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/macbethr.html (Macbeth – Willian Shakespeare)

Literatura Fundamental 55 – O Som e a Fúria – Munira Mutran – disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mSUjdRgOhnE

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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22 respostas para O Som e a Fúria – Willian Faulkner

  1. roccalex1 disse:

    Uma resenha tão completa e tão bem escrita é digna de um prêmio, não de um simples elogio.
    Wiliam Faulkner foi um escritor extremamente talentoso, mas seu talento teve que concorrer com a sua bipolaridade, que de uma certa forma atrapalhou muito sua vida, assim como prejudicou e abreviou a carreira de Ernest Hemingway e Jack London (outros escritores notáveis e bipolares, que acabaram se suicidando).
    Dou-lhe os parabéns pela tentativa brilhante de introduzir um outro tipo de leitura, mais desafiadora, em seu blog.
    Um grande beijo.
    Alex

    Curtido por 1 pessoa

    • laynnecris disse:

      Alex… eu amo desafios… E, parece que conforme vamos amadurecemos procuramos por isso. Faulkner é já um escritor que quero ler tudo… Vou escrever a próxima resenha de um livro dele que também conclui em janeiro – Enquanto Agonizo.

      Genialidade e talento geralmente ganham mais terreno e espaço na cabeça das pessoas que precisam de se esquivar de algo. É algo que tenho notado e que parece comum em todas as áreas.

      Grande abraço! Mas, o prêmio é da excelente escolha da Silvia.

      Curtido por 2 pessoas

  2. elaine reis disse:

    “Faulkner, a princípio, tenta eliminar as perspectivas clássicas de tempo, espaço, causalidade e até de sintaxe e de pontuação, como quem toma, uma a uma, as armas do inimigo” – fantástico isso!!
    Nossa, sua resenha deixou meu juízo fervendo e várias associações entraram em foco. Me lembrou os arroubos de O Morro dos Ventos Uivantes; me lembrou o filme O Cubo, onde o autista é o único a ter lucidez no local… E os números cabalísticos, hein? Idade – 33, início da história – 7, isso dá o que falar… Fim da escravidão, derrocada da aristocracia, incesto, depressão, suicídio, transtorno mental, subjugação da mulher, eita prato farto pra psicanálise, rsrsrs…
    Dezessete livros num contexto semelhante? Cara, isso deve ser, no mínimo, intrigante, porque pra ele não correr o risco de se perder, noooossa, deve ter sido um trabalho de titânica meticulosidade a vida desse escritor.
    Com certeza, vocês inseriram esse livro na minha lista de preferências!!!
    Beijoca, Laynne!! Parabéns pelo trabalho!!! Arrasaram!!!

    Curtido por 1 pessoa

    • laynnecris disse:

      Realmente uma mente curiosa enlouquece com tantas intertextualidade e simbologia. Faulkner explora muito disso e ler esse livro outra vez valerá muito a pena. Eu tenho plena certeza que você vai delirar. É desafiante, é intrigante e ele te abre portas para outras infinitas obras. Isso como pode ter notado a alusão que ele faz de forma sútil e majestosamente a outras obras.
      São 17 livros que são ambientados no mesmo condado, mas ele aborda as classes sociais que ele cria – os brancos ricos, os brancos camponeses (considerado as gentinhas), os negros livres e os que ainda são escravos, e os brancos que estão tentando se reerguer na vida… Eu já li Enquanto Agonizo (em breve vou resenhar, e estou para ler Sartoris).

      Quando ler o livro me avisa pra conversarmos sobre…

      Um grande abraço
      Laynne

      Curtido por 1 pessoa

  3. Silvia Souza disse:

    Laynne, amei!!!
    Mas você escreveu uma TESE!!! Nossa que coisa completa… Fiquei até acanhada com minha publicação tão simplezinha… 😀
    Ficou muito bom! Muito completo!
    Beijo grande!

    Curtido por 1 pessoa

  4. Faulkner…li Enquanto agonizo e foi totalmente novo, inesperado, de um lirismo entremeado com uma certa dureza, que eu ainda não conhecia. Obrigada pelo post, O som e a fúria também está na minha lista!

    Curtido por 1 pessoa

    • laynnecris disse:

      Enquanto Agonizo vai ser minha próxima resenha. Realmente é chocante o tamanho da frieza e ignorância com que os personagens atuam e decidem suas vidas. São várias pessoas unidas num mesmo propósito, mas é só isso que compartilham, né… do resto não há intimidade, há um distanciamento muito grande e o sentimento de família é bem rústico e numa visão bem diferente do que nós conhecemos. A forma como eles resolvem para continuar carregando Cash, mesmo com a perna quebrada, até o destino final é absurda e insana. Mas, para eles parecia algo natural… Entre outras coisas… que estou pensando ainda em como vou fazer a resenha deste livro. Estou com o livro “Sartoris” aqui dele também para ler.

      Muito obrigada pela visita e sua colaboração que sempre enriquece o meu Espaço…

      Abraços e uma feliz noite.

      Curtido por 1 pessoa

  5. Suas resenhas são as melhores *-* sempre tão completas que eu fico encantada… E adoro livros que nos desafiam e que tem um certo fundo enigmático, com certeza irei colocar na listinha… estou tentando abranger os gêneros literários e ler de tudo um pouco hehe.
    E Lay, adorei essa ideia da leitura compartilhada :)) e estou muito feliz que você tenha voltado…
    Um beijão ❤

    Curtido por 1 pessoa

    • laynnecris disse:

      Obrigada Nath pelo carinho… Melhor acredito que não… Mas, eu simplesmente curto mesmo o que leio… Tenho procurando também alçar outros voos… é muito bom se dar oportunidades. Na verdade tem muita coisa ainda que desconheço totalmente… e compartilhar é uma grande motivação para atravessar caminhos desconhecidos…

      Grande abraço e ótimas leituras…

      beijão

      Curtido por 1 pessoa

  6. Este é um livro que eu super indico, pois amei, agora sua resenha Laynne, está incrível, tão completa e detalhada que é impossível para quem lê não sentir vontade de comprar e ler o livro, eu que já li senti vontade de ler novamente kkkkkkk parabéns!
    Tenha uma linda terça!

    Beijoooooos!

    Curtido por 1 pessoa

  7. Lobo Invernal disse:

    Depois dessa análise, só me resta comprar assim que possível um exemplar da obra e pisar também um pouco nesse mundo no qual descreveu e que parece mais do que apenas interessante: necessário. =)

    Curtido por 1 pessoa

  8. Pingback: Liebster Award 2016 | Meu Espaço Literário

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