Post aula 09 – Qualidades e Defeitos de um texto

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Olá, como estão todos?  Espero que muito bem.

E o Natal, foi capaz de acabar com aquela dieta sacrificada do ano todo? (risos). Bom, tenho pouco tempo, então chega de conversa paralela e sem enrolar.

Entre tantas coisas que desejava escrever, hoje optei por um tema que poderá ser útil como tema introdutório para outras aulas.

O tema de hoje é “Qualidades e os defeitos de um texto”. Essa aula pode ser complementada com o post-aula 10 dicas para escrever bemescrito pela gracinha da Natália Assis do blog Only Secrets Dreans.

Quer participar do projeto assim como a Nath? Crie sua aula e envie para o e-mail do blog – myespacoliterario@gmail.com.

Aprender precisa ser uma atividade que nos dê prazer para uma melhor assimilação e internalização dos conceitos.


Voltando ao assunto…  chega de merchandising! emotion

 

Nesta segunda-feira, pensei em dar continuidade ao tema tipologia textual e abordar a dissertação. Mas, a dissertação engloba vários outros aspectos gramaticais e textuais importantes; e, para escrever um texto aceitável numa banca de Enem ou qualquer outro concurso é necessária a compreensão de todos estes aspectos. E acredito que a melhor maneira para aprender, é ir por partes.

E por este motivo optei pelo assunto de hoje, pois apesar de ser um tema de fácil compreensão, é um grande detonador dos bons textos. É preciso observar e evitar para não cair no pecado de praticar os tais “defeitinhos”.

Sabe aquelas frases meio esquisitas que escrevemos ou aquelas ideias mal explicadas que ficam com um tom meio incompreensível quando lemos um texto? Na língua portuguesa elas receberam um nome.

Legal, né?  Veja que nossos “intelectuais e pensadores” da língua pensaram em tudo para que um texto possa assumir esse papel de comunicador de nossas ideias. E saber usar corretamente todas essas informações é uma questão de prática, compreensão e persistência.

 

Laynne, então quais são esses defeitos e qualidade de um texto?

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Então, vamos lá!

 

Inicialmente, é importante reforçar que a ideia de escrever um texto é, antes de qualquer coisa, um trabalho de criatividade e de emprego particular de linguagem. Portanto, é muito pessoal e subjetivo. Considera-se um absurdo a tentativa de padronizar um texto, tipo elaborar um “modelo” a ser seguido ou, pior ainda, um gabarito de redação.

Entretanto, mesmo sendo um texto, um material subjetivo, de criatividade, de manifestação pessoal, pode-se enumerar as qualidades e os defeitos que, via de regra, devem ser observados e evitados.

Como qualidade, podemos eleger algumas prioridades: correção, clareza, concisão e elegância.

Como defeito, pode-se também enumerar alguns mais impactantes: ambiguidade, obscuridade, pleonasmo ou redundância, cacofonia e eco, etc.

 

Vamos falar sobre as QUALIDADES

 

  • Correção: Claro que um bom texto deve obedecer às regras gerais da língua, ressalvando-se sempre algumas liberdades como consequência do estilo. É interessante entender o conceito de fala: que é o uso que cada indivíduo faz da língua, conforme sua vontade, desde que obedeça a algumas regras gerais da língua. Os desvios que são comumente encontrados nas redações referem-se à ortografia, pontuação, concordância e regência.

 

  • Clareza: Quando o texto não obedece às normas gerais da língua, torna-se pouco claro, difícil de ser compreendido. As palavras devem ser bem colocadas, as ideias devem obedecer a uma determinada lógica, sem cair, no entanto, num didatismo primário. Ao leitor deve restar – sempre – o prazer da descoberta.

 

  • Elegância: É, em última análise, o resultado final obtido quando se observam as qualidades e se evitam os defeitos. É o texto agradável de ser lido tanto pelo seu conteúdo como pela sua forma.

 

  • Concisão: Consiste em apresentar uma ideia em poucas palavras, sem, contudo, comprometer a clareza; deve ser entendida como sinônimo de precisão, exatidão, brevidade. O procedimento oposto é a prolixidade, que deve ser evitada; ser prolixo é usar muitas palavras para dizer pouca coisa; na linguagem estudantil é conhecido como “encher linguiça”.

Exemplo de textos que observaram a qualidade e evita os defeitos linguísticos.

 

Exemplo 01

Literate: Educado; especificamente, que tem a habilidade de ler e escrever. Literate é, pois, o adjetivo que caracteriza a pessoa que domina a leitura e a escrita, e literacy designa o estado ou condição daquele que é literate, daquele que não só sabe ler e escrever, mas também faz uso competente e frequente da leitura e da escrita.

 

Fragmento extraído do livro – SOARES, Magda. Letramento – um tema em três gêneros. 3ed. Belo Horizonte:Autêntica Editora, 2014. Pag. 36.

 

Exemplo 02

“O comportamento humano é produto de um indeterminável fluxo de percepções, sentimentos e pensamentos, tanto no plano consciente quanto no inconsciente. A noção de que não estamos cientes da causa de boa parte do nosso comportamento pode ser difícil de aceitar. Embora Freud e seus seguidores acreditassem nisso, entre os psicólogos pesquisadores – os cientistas do ramo – , até há pouco, a ideia de que o inconsciente é importante para o nosso comportamento era descartada como psicologia popular”.

 

MLODINOW, Leonardo. Subliminar: como o inconsciente influencia nossas vidas. Tradução Claudio Carina. Rio de Janeiro:Zahar, 2013. Pag. 23.

 

DEFEITOS do texto

 

Vamos contextualizar o assunto. E para isso, nada melhor que ler um trecho em que incorra vários destes defeitos de texto.

Leia o período abaixo:

“Esta empresa dará emprego a todos os necessitados, exceto àqueles que já o tenham”.

Veja que o trecho acima está generalizando uma situação com o uso da expressão “a todos” e logo depois a palavra “exceto” desqualifica a ideia de que a empresa empregará todos os necessitados.

O trecho causa no leitor uma estranheza pela falta de clareza da informação. Outro “defeito” neste trecho é a colocação do termo “o tenham”; que já tenha o que? A necessidade ou o emprego? O uso incorreto da expressão causa ambiguidade e falta de clareza da informação.

Vamos reformular a frase para que fique nítida e seja possível “enxergar” a situação da generalização, da ambiguidade e da falta de clareza – causada pelos defeitos citados.

 

“A empresa dará emprego às pessoas que forem qualificadas e, que atenderem às exigências para a vaga disponível”.

 

A empresa não dará emprego a todos.  Que empresa faz isso? Será dada a vaga para a pessoa que esteja qualificada e que atenda às exigências que a empresa exige para determinado cargo.

Estes pequenos defeitos ocorrem porque geralmente usamos a maioria deles na fala. E na hora de escrever transferimos as características da fala para a escrita.

Quando falamos possuímos vários elementos que auxiliam a compreensão do que estamos querendo informar, o mesmo não acontece num texto. No texto o leitor irá captar/identificar/compreender apenas o que está registrado no papel. Caso não tenha clareza, a mensagem será compreendida de uma forma diferente da que o escritor quis passar.

E é para evitar essas incoerências e complicações na comunicação que a língua portuguesa tem algumas regras gramaticais que evitam estes defeitos.

Conceituando os “Defeitos”

 

Defeito de um texto: é o emprego incorreto de certas palavras ou expressões, de maneira que provoque interpretações sem sentido. Os erros gramaticais e os sons desagradáveis em um texto constituem os defeitos do texto, configurando-se muitas vezes como vícios de linguagem.

1- Ambiguidade ou anfibologia: ocorre quando a frase apresenta mais de um sentido, em consequência de má pontuação ou da má colocação das palavras.

Exemplo

O chefe discutiu com o empregado e estragou seu dia. (não se sabe qual dos dois teve o dia arruinado)

2 – Obscuridade: É o defeito que se opõe à clareza. Dentre os vícios que acarretam obscuridade podemos citar: má pontuação, rebuscamento da linguagem, frases excessivamente longas (prolixas) ou exageradamente curtas (lacônicas), emprego equivocado de pronomes relativos e conjunções, erros de concordância e de regência, etc.

Exemplo

Foi evitada uma efusão de sangue inútil. (Em vez de efusão inútil de sangue). Porque neste caso, o sangue não é inútil.

3- Pleonasmo ou redundância: Consiste na repetição desnecessária de um termo ou de uma ideia. Em alguns casos, no entanto, o pleonasmo tem a função de realçar uma ideia, tornar a ideia mais expressiva. Dessa forma, o pleonasmo deixa de ser o vício e passa a ser uma figura de linguagem, um recurso linguístico. Portanto, é necessário distinguir os tipos de pleonasmo:

Pleonasmo vicioso: “subir pra cima”, “entrar pra dentro”, “decisão unânime de todos”, “monopólio exclusivo”, etc.

Pleonasmo de reforço ou estilístico: Camões, em Os Lusíadas (Canto V, estrofe 18), faz uso de pleonasmo célebre ao iniciar a descrição de uma tromba-d’água marítima:

 

Vi, claramente visto, o lumo vivo

Que a marítima gente tem por santo.

linha divisóriacacofonia1

4- Cacofonia ou Cacófato: É o som desagradável resultante da combinação de duas ou mais sílabas de diferentes palavras. Apesar da fértil imaginação popular, pródiga em criar versinhos cacofônicos, vamos a alguns exemplos: “boca dela”, “meu coração por ti gela”, “uma mão lava a outra”, “vou-me ”, “passamos por cada uma”, “eu vi ela passar”, etc. Todos nós, uma vez ou outra, cometemos um cacófato, até os grandes mestres. Outra vez citando Camões, em um de seus sonetos mais famosos:

 

“Alma minha gentil que te partiste

Tão cedo desta vida descontente!


5- Eco: É a repetição desnecessária de um som, resultando num texto desagradável, com um ritmo batido e monótono. A melhor forma de corrigir esse defeito é ler o texto já acabado com muita atenção; na língua portuguesa é preciso tomar muito cuidado, por exemplo, com as terminações em ao, ade e mente. Uma frase do tipo: “Contra sua vontade, apenas por bondade, ele foi à cidade; na verdade…” machuca o ouvido.

Exemplo:

Na cidade de Santa Conceição a população reclama muito da corrupção. Todo dia a câmara recebe reclamação e uma porção de cidadãos fizeram passeatas para uma nova eleição.

Isso ai até doeu ler, né?

 

O ECO constitui-se defeito quando o texto não é prosa literária. Na prosa literária o eco deixa de ser um defeito e torna-se uma qualidade – conhecida como a rima.

Veja que tudo é questão de conhecimento.Saber utilizar bem as situações em favor de uma boa comunicação dentro do texto é questão de praticar de forma consciente para notar estes defeitos.

Quem escreve deve interpretar a melhor maneira que pode “abusar” ou não destes recursos de linguagem. Na dúvida, a melhor opção é evitar. Mas, identificar essas ocorrências já é um grande passo rumo a melhoria.

É sempre melhor optar por escrever um texto simples, claro, objetivo do que cair no erro de tentar rebuscar e errar feio. Sempre reler o que escrever também é uma ótima situação para notar estes erros.


 

Há outros defeitos que acho interessante comentar, é o preciosismo, barbarismo e o solecismo. Este último é bastante comum.

O barbarismo consiste no erro da grafia da palavra mesmo, ou no caso da fala, no erro da pronúncia. 

Exemplo:

Hoje o tráfico estava muito carregado por isso me atrasei. (Uso correto seria “tráfego”).

Lembrei-me agora de um caso. Uma conhecida contou-me o ocorrido com ela por estes dias. Segundo ela, enquanto brigava com o marido num dias desses e ele insistia tanto em um continuar um assunto que ela perdeu a paciência e de tão cansada e estressada gritou:

“Pela mor de Deus omi isso é muita pressão fisiológica!” 

Na hora da raiva ela confundiu tudo e o marido riu tanto do que ouviu que até se esqueceram do motivo da briga. E nós, que a ouvíamos contar, também quase “morremos” de tanto rir. 

Outra situação também que ouvi recentemente.

“Você quer que casque seu fígado agora?” (nota – perguntava acerca da fruta – figo e o verbo é DESCASCAR).

Então, acho que dá pra notar porque é chamado de barbarismo. São erros bem grosseiros e que se faz parte da nossa oralidade, às vezes os arrastamos para um texto. 


O preciosismo já tende a errar pelo excesso. Trata-se do uso exagerado e desnecessário de palavras rebuscadas. 

Exemplo

“O fulvo e voluptoso Rajá celeste derramará além os fugitivos esplendores da sua magnificência astral e rendilhara d’alto e de leve as nuvens da delicadeza, arquitetural, decorativa, dos estilos manuelinos.”


E o solecismo são os erros que atentam contra as normas de concordância, de regência ou de colocação.

Exemplos:

  • Solecismos de regência:

      • Ontem assistimos o filme (por: Ontem assistimos ao filme). 

      • Cheguei no Brasil em 1923 (por: Cheguei ao Brasil em 1923).

      • Pedro visava o posto de chefe (correto: Pedro visava ao posto de chefe).

  • Solecismo de concordância:

    • Haviam muitas pessoas na festa (correto: Havia muitas pessoas na festa)

    • O pessoal já saíram? (correto: O pessoal já saiu?).

  • Solecismo de colocação:

    • Foi João quem avisou-me (correto: Foi João quem me avisou).

    • Me empresta o lápis (Correto: Empresta-me o lápis).

Há outros vícios considerados defeitos, mas acredito que estes são os mais comuns e que toda pessoa já cometeu alguns desses (olha o generalismo, mas quem nunca errou que atire a primeira pedra).

São “erros” que só corrigimos se estivermos atentos a eles. Caso contrário passa despercebido.

Então, pessoal! Essa é a minha dica de hoje. Espero que gostem. Meus dias tem sido bem corridos e gostaria de fazer algo bem mais elaborado. 

Mas, tem muitas aulas excelentes no youtube e no google. Quem quiser aprofundar no tema vai encontrar muitas ajudas. 

Um abraço carinhoso e um bom final de ano para todos vocês.

Laynne Cris

Referências

DE NICOLA, José. Língua, Literatura & Redação.São Paulo: Scipicione, 1998.

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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9 respostas para Post aula 09 – Qualidades e Defeitos de um texto

  1. elaine reis disse:

    Super didática e direta, Laynne.
    Parabéns!!!

    Curtido por 2 pessoas

  2. Eu adoro demais seus posts aulas Lay!! E eles sempre me ajudam a rever conceitos que aprendi de uma maneira mais leve hehe. Achei legal este tema que você tratou hoje complementar aquele que eu escrevi e isso me fez lembrar que havia de dito que iria participar novamente deste teu projeito maravilhoso, e saiba que eu não esqueci, eu vou começar a estudar em janeiro (já que ano que vem é ano de vestibular) e já na primeira semana eu separo o tema que havia lhe proposto :))
    E sobre este post aula achei bem interessante você ter tratado sobre as qualidades e os defeitos de um texto. Sempre aprendi que um texto tem que ter coesão e coerência e creio que caia nos assuntos que você abordou no quesito qualidade, já que tem que haver clareza e também a correção. Já no quesito defeitos, aprendi esse ano as abordagens de cacofonia, eco, pleonasmo e assim sucessivamente e adorei recordar e fixar ainda mais esses assuntos :))
    Grande beijo minha querida ❤

    Curtido por 3 pessoas

  3. Juliana Lima disse:

    Vou salvar esse post nos favoritos💜
    Preciso rever muitas coisas, a escrita não é um processo fácil.
    Excelente post, como sempre Laydiva🌹
    Bjao

    Curtido por 2 pessoas

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