Tipologia Textual – A Descrição

CAPA P08

Olá, como estão todos? Espero que muito bem.

 

Mais uma segunda feira e já caminhamos para a 8ª aula do Projeto Aprender com Prazer. Quem está chegando ao blog hoje e não conhece o projeto, clique aqui. E aqui também.

E confira também na biblioteca Meu Espaço Literário à sua direita (na página de postagem) todas as aulas anteriores. E se você quiser colaborar com o projeto “Aprender com Prazer” como colaborador, envie o material para o e-mail – myespacoliterario@gmail.com. Não se preocupe quanto à formatação ou organização; eu sempre dou um jeitinho!

Quero hoje dar continuidade ao tema “Tipologia Textual”. Quem escreve, precisa aperfeiçoar a escrita sempre que possível; e a prática é a única que pode solucionar esses nossos problemas.

Então, quero através dessas dicas, oferecer material para que a prática seja construída com fundamentação teórica e assim possa alcançar a qualidade desejada.

Como continuidade de “Tipologia Textual”, abordarei o tipo de texto Descritivo ou Descrição.

A descrição, muitas vezes não é tão levada á sério por parecer simples e fácil. Mas, sabemos que para uma contextualização de um tema, uma boa descrição de um cenário, ou até mesmo uma boa descrição dos personagens dentro do texto narrativo pode cativar o leitor ou fazê-lo desistir de ler determinado texto.

A descrição está presente em outros tipos de texto, pois é utilizada para auxiliar na formação de uma ideia, na composição de um cenário, na construção de um personagem, na compreensão de um conceito, na visualização de qualquer característica, etc. Saber quando usar a descrição, fazendo um bom uso dela é algo que qualifica um escritor e enriquece um texto de qualquer gênero textual.

Leia o trecho descritivo de Guimarães Rosa:

leer

“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. O pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito miúda, cabeçudota e com olhos enormes.”

Perceba que o trecho acima apresenta características do ambiente e de personagens. Essa caracterização é obtida por meio da descrição.

linha divisória

Descrever é detalhar uma cena, objeto, sentimento, personagens, destacando-lhe características peculiares, de modo a passar ao leitor/ouvinte uma imagem o mais próxima possível daquela que temos em mente.

 

Há duas maneiras básicas de descrever: OBJETIVA e SUBJETIVA.

 

Descrição Objetiva

 Objetivos_o_metas

A realidade é retratada com maior fidelidade possível, não se emitindo qualquer opinião ou julgamento. Leia, as seguintes descrições objetivas:

Exemplo 01

“Os anticorpos são moléculas de proteínas que possuem dois sítios específicos de combinação com os antígenos. Existem, em cada molécula de anticorpo, duas cadeias polipeptídicas leves e duas cadeias pesadas, ligadas entre si por pontes de enxofre.” (Amabis e Martho)

Exemplo 02

“O apartamento que comprei tem três dormitórios – sendo uma suíte – , uma sala em “L”, cozinha, área de serviço e dependências da empregada.”

Exemplo 03 (Descrição no texto narrativo)

“O ar áspero mostrava-se como sempre sulforoso, mas ambos estavam acostumados. O horizonte próximo estava rodeado de neblina, opalescente com o frio e a fumaça, e acima dele erguia-se uma faixa estreita de céu azul;”

(O amante de Lady Chatterley)

Descrição Subjetiva

A realidade é retratada de acordo com o ponto de vista do emissor, que pode opinar e expressar seus sentimentos. Leia, agora, os seguintes textos para visualizar este tipo de descrição.

Exemplo 01

quincas borba

“Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida, tão acanhada, que os suspiros do namorado ficavam sem eco.”

(Machado de Assis)

linha divisória

Exemplo 02

sertão“O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! E bala é um pedaçozinho de metal… sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso.”

(Guimarães Rosa)

A descrição permite que o leitor recrie a cena ou imagine o que o escritor está querendo informar ou contar. Poderia acrescentar que a descrição é o elemento básico para que um texto torne-se atrativo. A escolha da maneira da descrição que se usará no texto depende da intenção do escritor. No texto de Guimarães Rosa, o personagem apresenta a opinião que ele tem sobre o significado do sertão, talvez devido à experiência. 

Ambos os estilos descritivos são predominantes em determinados tipos de texto, embora a descrição seja muito usada em qualquer situação em que se queira apresentar ou evidenciar algum fato, cena, pessoa, etc.

 

Características da Descrição

 

  • Caracteriza, por meio de imagens ou de palavras, seres e lugares;
  • Emprega adjetivos, locuções adjetivas, verbos de estado e orações adjetivas;
  • Emprega geralmente verbos de estado, normalmente no presente e no imperfeito do indicativo;
  • Estabelece comparações;
  • Faz referências às impressões sensitivas: cores, formas, cheiros, gostos, impressões táteis, sons.

Ordem da Descrição

 

A ordem da descrição é um verdadeiro “retrato” com palavras. Na descrição literária, o escritor procura ordenar as frases de modo a obter um texto que prenda a atenção do leitor.

Os textos descritivos dificilmente aparecem isolados. Geralmente, fazem parte de um texto maior, do tipo narrativo.

Há várias maneiras de montar uma descrição, dependendo da posição (ponto de vista) do observador em relação àquilo que está sendo observado. As principais são:

 

  1. Do particular para o geral

 

Veja um exemplo:

 

“A pele da garota era desse moreno enxuto e parelho das chinesas. Tinha uns olhos graúdos, lustrosos e negros como os cabelos lisos, e um sorriso suave e limpo a animar-lhe o rosto oval, de feições delicadas.” (Érico Veríssimo)

 

  1. Do geral para o particular

 

“A rua estava de novo quase morta, janelas fechadas. A valsa acabara o bis. Sem ninguém. Só o violinista estava ali, fumando, fumegando muito, olhando sem ver, totalmente desamparado, sem nenhum sono, agarrado a não sei que esperança de que alguém, uma garota linda, um fotógrafo, um milionário disfarçado lhe pedisse pra tocar mais uma vez.”

 

Nestas duas ocasiões de descrição, o escritor irá eleger qual usar de modo que acrescente qualidade ao texto, combinando também o estilo da descrição com a escolha do foco narrativo e a ordem narrativa.

A imagem física ou psicológica é a “alma” da descrição.

 

Texto descritivo:

 

Encontrei-o à noitinha no salão, que servia de gabinete de trabalho, com a filha e três visitantes: João Nogueira, uma senhora de preto, alta, velha, magra, outra moça, loura e bonita.

Estavam calados, em dois grupos, os homens separados das mulheres.

O dr. Magalhães é pequenino, tem um nariz grande, um pince-nez e por detrás do pince-nez uns olhinhos risonhos. Os beiços, delgados, apertam-se. Só se descolam para o dr. Magalhães falar a respeito da sua pessoa. Também quando entra neste assunto, não para.

Naquele momento, porém, como já disse, conservavam-se todos em silêncio. D. Marcela sorria para a senhora nova e loura, que sorria também, mostrando os dentinhos brancos.

(Graciliano Ramos. São Bernardo.)

 

Neste texto temos o retrato de alguns personagens e do ambiente; várias frases nominais indicam ausência de ação, e as imagens permitem uma visualização do que está sendo apresentado.

Atente para a importância dos verbos de ligação e dos predicativos; os adjetivos transformam-se na alma do texto (“… uma senhora de preto, alta, velha, magra; outra moça, loura e bonita.”); “ O dr. Magalhães é pequenino, tem um nariz grande (…) uns olhinhos risonhos …”, etc.). É importante notar, no entanto, que esse retrato não se limita aos aspectos exteriores; temos, também, uma característica psicológica do dr. Magalhães – seu narcisismo (falar dele mesmo é o seu assunto preferido). Um texto com essas características é uma descrição.

 

Descrição Poética

 

Na poesia, a descrição está marcada pela função fática, apresentando imagens inusitadas que recriam seres e/ou ambientes. Dificilmente encontramos objetividade nas descrições poéticas, pois, a poesia está marcada pelo subjetivismo.

 

Função fática: Tem por finalidade estabelecer, prolongar ou interromper a comunicação. É aplicada em situações em que o mais importante não é o que se fala, nem como se fala, mas sim o contato entre o emissor e o receptor. Fática quer dizer “relativa ao fato“, ao que está ocorrendo. Aparece geralmente nas fórmulas de cumprimento: Como vai, tudo certo?; ou em expressões que confirmam que alguém está ouvindo ou está sendo ouvido: sim, claro, sem dúvida, entende?, não é mesmo? É a linguagem das falas telefônicas, saudações e similares.

 

 Observe o exemplo abaixo:

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

– Em que espelho ficou perdida

a minha face?

(Cecília Meireles – Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.)

 

Descrição Técnica

 

Na descrição técnica procura-se transmitir a imagem do objeto através de uma linguagem mais técnica, com um vocabulário preciso, normalmente ligado a uma área da ciência ou da tecnologia.

É o caso das descrições de peças e aparelhos, de experiências e fenômenos, do funcionamento de mecanismos, da redação de manuais de instruções e de artigos científicos.

 

Exemplo:

[…] Portanto para o modelo ascendente, ler é reconstruir o enunciado verbal a fim de compreender a mensagem apreendendo o pensamento colocado no escrito.  Entende a escrita como transcrição da língua oral, ou seja, para escrevermos necessitamos relacionar o código escrito com o código oral.

Segundo os modelos ascendentes, o leitor, diante do texto, focaliza os seus elementos em um processo sequencial. O comportamento do leitor é preso ao texto, na identificação de letras, de sílabas, de palavras e as decodificações dos sons que constituem pré-requisitos para a compreensão; para compreender é preciso analisar detalhadamente os sinais gráficos (MICOTTI, 2012, p. 12-13).

(ANDRADE, Elaine Cris. Trecho do artigo científico “Alfabetização e Letramento – Processos e Princípios Básicos, 2015.)

 

Bom, é isso! Espero que tenham curtido este post-aula. Esta aula foi agendada, então se demorar a responder aos comentários… Perdoem-me! Mas, não deixem de fazê-lo, assim que possível retornarei todos.

A partir da sexta, dia 18 de dezembro, estarei trabalhando até mais ou menos o dia 10 de janeiro.

 

Um grande abraço e obrigada pela compreensão.

Carinhosamente

Laynne Cris

Anúncios

Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
Esse post foi publicado em Língua Portuguesa. Bookmark o link permanente.

16 respostas para Tipologia Textual – A Descrição

  1. Rômulo Pessanha disse:

    Que tipo de material eu poderia enviar como colaborador?

    Curtido por 1 pessoa

  2. Letícia disse:

    Lay! Bom dia ✨

    Saudades de passar por aqui, ler seus posts e admirar tudo isso aqui uahaha :”)

    Curti muito as dicas, principalmente porque estava discutindo sobre isso com alguns amigos no sábado. Tenho um amigo que ao contar uma história, descreve com tantos detalhes a situação, que o papel rendeu hahah.

    Ainda estou pensando em um tema bacana para trabalharmos juntas!!!! Será ótimo.

    Beijo, lê

    Curtido por 1 pessoa

  3. roccalex1 disse:

    Parabéns, Layne querida. Fico esperando seu post-aula todas as semanas, ansiosamente.
    Um beijo enorme e uma ótima semana, amiga estimada.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Sempre que lembro de segunda-feira, lembro que tem post-aula da Lay e adoro saber qual será o assunto a ser tratado no dia hehe. A dissertação é um tipo textual muito importante, principalmente no quesito de omitirmos nossa opinião, e lembrando que é algo que sempre caí nos vestibulares, achei bem legal você tratar sobre ele aqui e sempre da melhor forma possível, explicando tudo bem explicadinho! Adorei Lay querida, todos os seus posts são ótimos, e eu te admiro muito hehe.
    Grande beijo pra ti ❤

    Curtido por 1 pessoa

  5. Kamylla Prado disse:

    Olá, Cheguei em teu post através desse post aula. Estava procurando algumas coisas quanto a descrição para estudar independentemente. E parabéns pelo post. Muito obrigada ❤

    Beijos.
    Vidaemserie.com

    Curtido por 1 pessoa

    • laynnecris disse:

      Oi, Kamylla.

      Fico muito contente em saber disso. Também amo estudar… nunca parei. E acredito que é possível encontrar prazer ao estudar, e os posts aulas são uma pequena parte do que gostaria de fazer para incentivar o ato de aprender com autonomia.

      Dá uma olhada na biblioteca… tem bastante coisas legais…

      Abraços

      Curtido por 1 pessoa

Sua opinião é muito importante para mim! :)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s