Resiliência

resiliencia

Para mim, 2015 foi um ano de muita luta, algumas conquistas e de uma transformação interior muito grande. Diria que renasci.

Sempre me fiz uma pergunta: “Como serei quando for “grande”? Acho que essa deve ser uma questão universal.

Não saberia dizer se isso acontece com todas as pessoas. Mas me sinto a mesma pessoa em todas as fases em que vivi, com exceção é claro das diversas cicatrizes que fui ganhando com a minha passagem pela vida; com meus erros e acertos, assim como qualquer outro ser humano. Talvez sejam essas cicatrizes, as tais mudanças, que as pessoas dizem que nos fazem evoluir.

Certa vez, um professor, em uma aula de psicologia do desenvolvimento, mencionou a seguinte palavra “resiliência”. 

Essa palavra ocupou meus pensamentos desde então, e de certa forma sempre está presente quando reflito sobre o meu processo de amadurecimento, sobre meus conflitos internos e sobre as situações que me fazem sofrer.

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Segundo a física, resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação.

Já no sentido figurativo, a palavra resiliência diz-se da capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

A psicologia afirma que resiliência é um aspecto psicológico, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com os problemas, superar obstáculos ou resistir a pressão de situações adversas – choque, estresse, etc. – sem entrar em surto psicológico.

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Percebe-se que existe uma abrangência de conceitos que envolvem essa palavra, “resiliência”, e na Psicologia é possível encontrar diversas explicações para o esclarecimento dessa característica que envolve o ser humano, ou seja, essa capacidade de ter uma recuperação (digamos assim) diante dos problemas enfrentados no dia a dia. 

No entanto, o que isso tem a ver comigo, com este texto e com o meu ano de 2015? 

Pois digo que acredito que neste ano enfrentei uma das lutas mais complexas para mim – sobreviver sozinha e aprender a desapegar de situações ou “coisas” que foram durante muito tempo minha subsistência.

Às vezes, pra quem olha de fora é difícil notar o que acontece conosco, é difícil ver sem de fato olhar. Poucas são as condições para que se perceba o quanto uma pessoa luta para continuar existindo. 

Pode parecer exagero, mas cada um interpreta as situações vividas com as armas que tem e reage de maneiras muito distinta uns dos outros.

Aprendemos desde muito cedo que é feio mostrar nossas fraquezas, de certo modo é mesmo desnecessário atrair atenção de muita gente, e por isso aprendemos a usar nossas “máscaras”.  

Só que toda pessoa precisa de referências, de abrigo, de conselhos, de amigos, de confiar, de compartilhar; enfim – é humano a necessidade que temos de ter alguém para nos amparar nos momentos mais complicados.

E as vezes na falta de todo esse aparato humano aprendemos outros caminhos para superar nossas “turbulências”.

Bom, o que resultou disso tudo ainda não posso medir, talvez uma pessoa mais fria e cética? Não sei.

Não tenho ainda como fazer uma avaliação dos resultados, simplesmente porque ainda não acredito que tenha terminado ou que vai se findar junto com o ano. É cedo!

Mas, seguramente posso dizer que aumentei minha resiliência, mais uma vez precisei me reinventar, mais uma vez precisei traçar novas metas, rever meus conceitos, refazer meus planos e descobrir novos caminhos e até pensar numa nova versão de mim mesmo. 

Adoraria erguer os olhos aos céus e dizer uma frase que simpatizo muito com a melodia dela no inglês – It’s over!

Mas, ainda é cedo demais para tirar conclusões e se por acaso tudo mudar outra vez, estarei pronta para mais um espetáculo da vida e dizer que estou orgulhosa do que sou hoje!

Carpem Die!

Tenho lido e ouvido muito esse verbete por ai. Entendo com isso que deve ser uma lembrança ou uma mensagem.

Odes (I, 11.8) do poeta romano Horácio (65 – 8 AC)

Tu não indagues (é ímpio saber)

qual o fim que a mim e a ti

os deuses tenham dado, Leuconoé,

nem recorras aos números babilônicos.

Tão melhor é suportar o que será!

Quer Júpiter te haja concedido muitos invernos,

quer seja o último o que agora debilita o mar

Tirreno nas rochas contrapostas,

que sejas sábia, coes os vinhos e, no espaço breve,

cortes a longa esperança.

Enquanto estamos falando,

terá fugido o tempo invejoso;

colhe o dia (carpem die), quanto menos confia no de amanhã.

24 de novembro

Laynne Cris

 

 

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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41 respostas para Resiliência

  1. Ah, identificação…como faz bem! Obrigada pelo post, eu me senti muito nele…

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  2. Juliana Lima disse:

    Sabe Lay, às vezes, me faço a mesma pergunta. Se me tornei mais cética, mais fria, se hoje desconfio mais das pessoas por causa de todas as desventuras que a vida foi proporcionando com o temp, nunca sabemos a resposta.
    Excelente texto!
    Como sempre você é uma pessoa com muita sensibilidade S

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  3. KAMBAMI disse:

    Achei bem maduro seu texto, gostei de ver que mesmo jovem soube procurar visualizar em si mesma os efeitos do tempo.
    Acredite, seu amigo burrildo aqui sabe um básico de inglês e quando li a palavra “Over” entendi ser algo finalizado terminado.
    Se me permite gostaria de deixar uma frase não em inglês para que refletisse. Ela está em Latim e sempre ouvia de meu pai. “Quode Natura date, nemo, negare potere”( O que a Natureza nos dá, nós não podemos negar). Nem sempre a árvore mais frondosa sobrevive a grandes temporais, sejamos como o bambu que verga mais não quebra. Adorei seu texto e sua visão. Beijos! 🙂

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  4. danaflowers disse:

    Texto lindo! Parabéns!bjs

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  5. Agda Marianne disse:

    Ahh Laynne, eu li num livro ontem, a seguinte parábola: “As experiências no alto das montanhas são magníficas. No entanto, nessa altitude as árvores não conseguem sobreviver. No topo da montanha nada cresce, mas quando olhamos para baixo notamos uma coisa interessante: todo o crescimento está nos vales”. É isso que a dor e o sofrimento nos proporciona, crescimento e amadurecimento. Também já passei por situações que me deixaram mais fria, mas hoje sei que “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Beijos, belo texto!

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  6. Letícia disse:

    Ah Lay! Eu acho que conforme os acontecimentos vão passando, a gente vai aprendendo muito, mas ao mesmo tempo, ~se magoando~ muito. E a gente vai deixando passar, empurrando com a barriga e quando damos conta, somos seres totalmente transformados. Ainda me importo com muitas coisas, sou emotiva e tudo o mais, mas certamente sou mais “fria” em relação a coisas que antes eu era totalmente uma ~maria mole~. Acho que a vida vai dando tanto soco no mesmo lugar que a gente cansa de se importar ou sentir. (Mas também associo isso ao cansaço emocional, sabe?) é foda..
    beijinho ;*

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    • laynnecris disse:

      Essa sensação de cansaço acho que sempre vai encontrar uma nova forma de “encarnar”; e isso é viver. Acho que a diferença conforme “envelhecemos/crescemos” é que passamos a ter outro olhar, passamos a apreciar com maior cuidado as coisas boas… Um grande abraço e viva la vida…

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  7. roccalex1 disse:

    Já me magoei, já me decepcionei, mas agora está na hora de acreditar que tudo vai ser diferente, minha querida amiga.
    Um super beijo para ti.
    Alex

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  8. Silvia Souza disse:

    Maravilhoso seu texto, Laynne!
    São nossas batalhas diárias… Aquelas que apenas nós mesmos conhecemos.
    É claro que vamos mudando com as experiências, os problemas enfrentados, as cicatrizes que surgem…
    E continuar nossa batalha… Sem desanimar!
    Um beijo grande!

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  9. isahebling disse:

    Que texto incrível!!
    Esse ano também houve muita mudança por aqui, mas sofri demais! Já estou sabendo 2016 com certeza vai ser muito difícil também, mas peço à Deus RESILIÊNCIA!
    Obrigada por cada palavra, um beijo!

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    • laynnecris disse:

      Oi, Isa é muito gratificante saber que minhas palavras foram bem recebidas por você! Acredito que somos mais fortes que acreditamos ser. 2016 também vai ser desafiante pra mim, mas sempre é dificil mudar! Força garota… vamos ter muitas coisas boas pra compartilhar. Pensamento positivo e ação! Grande beijo e mais uma vez obrigada por dividir comigo sua experiência!
      Beijos

      Curtido por 1 pessoa

  10. Ah Lay sempre se superando com seus textos um melhor que o outro! Texto lindo e super me identifiquei! Creio que a medida que o tempo passa as coisas vão se dificultando e perguntas se formam ainda mais na nossa mente… Esse ano, de todos os que já vivi, foi o mais complicado e o que mais aprendi com todas as coisas que já aconteceram pra mim. E posso dizer com toda a certeza que tudo que a gente passa é um aprendizado e esse lema do Carpe Diem eu levo sempre comigo. Porque o futuro nós não podemos prever então é melhor aproveitar o momento e viver o hoje :))
    Beijão 😘

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    • laynnecris disse:

      Oi, Nath…é verdade! Crescer é descobrir coisas nem tão agradáveis. Mas, faz parte do nosso desenvolvimento e vamos aprendendo a resistir e a ver as coisas com maior clareza, embora tudo isso não significa que vá doer menos. Mas, é isso mesmo… vamos tentar fazer o nosso melhor hoje. Amanhã não sabemos se vai existir… Abraços carinhosos.

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  11. Acho que a gente se reinventa, se redescobre, se adapta todos os dias, a vida é assim, parece que ela não quer que acompanhemos seu ritmo, quando aceleramos, ela acelera ainda mais… Vivi essa fase Laynne, na verdade ainda vivo, mas hoje em dia ela é mais suave… Parabéns pelo texto, me vi nele, e acho que muita gente também deve ter se visto, pois sua sensibilidade foi incrível!

    Tenha um dia lindo!

    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

    • laynnecris disse:

      Obrigada Gil… é bom saber que apesar de algumas diferenças todos estamos no mesmo barco (e espero que não seja o meu um Titanic… rs rs rs). Mas, fico mesmo assim feliz que minhas reflexões tenham agradado aos amigos que por aqui passaram…

      Um grande abraço
      Se cuida garoto!

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  12. Cris Campos disse:

    Lay, a resiliência é antes de tudo um ato sempre no presente. No entanto, sob toda cicatriz acredito que fica sempre uma espécie de cauterização. Por mais que tenhamos essa capacidade, e por mais que façamos dela nossa bandeira diária, alguma coisa em nós muda. Se assim não for, qual o sentido então? Ou elas, as marcas, nos tornam melhores, ou piores, ou mais frios, ou mais sensíveis. Sei lá, penso que a recomposição acontece, mas lá no no fundo fica sempre uma inscrição. Mesmo que a gente não perceba num primeiro momento. Que achas?

    Adorei ler isso. Bjos querida.

    Curtido por 1 pessoa

  13. Pingback: Tentando encarar o mundo | isaneblina

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