Vidas Cruzadas – Parte 2

Vidas Cruzadas - 2

Vidas Cruzadas – 2

24 de agosto de 2007.

Oito anos atrás.

 A noite de sexta-feira iniciara com uma brisa suave, que levava para longe o clima cálido, resultado dos 35 graus sofrido naquele dia.

 No único Piano Bar da cidade alguns casais já ocupavam as mesas que ficavam ao fundo do salão. A área próxima ao piano já havia sido reservada por um grupo de amigos que comemorariam o aniversário de um deles.

 O local apesar de possuir um espaço pequeno, era muito recomendado devido á boa música e pelo ambiente acolhedor e elegante. As paredes ladeadas por janelas com jardineiras deixava o local com um frescor floral que, combinado à iluminação meia-luz e a música, tornara-se o local preferido dos casais apaixonados.

Aquele fora um dia exaustivo para Douglas. Tivera a agenda lotada com palestras de treinamento para a turma de medicina iniciante na Universidade em que prestava serviços. A única coisa que desejara ao sair de seu último compromisso era voltar pra casa. Tomaria um banho demorado e relaxaria lendo um bom livro.

Já havia decidido o que faria, quando recebeu uma ligação de um amigo convidando-o para um “happy hour” comemorativo.

Apesar dos 28 anos, Douglas era um homem sério e preferia os programas caseiros a ter que passar noites em claro em algum bar. Possuidor de uma presença marcante, com belos olhos azuis, 1,98 de altura, uma tez clara e cabelos louros acinzentados; ele era sempre o alvo de muita atenção aonde quer que fosse.

Ser alvo dessa atenção destoada não era algo que lhe agradava, por ser um cara introvertido e bastante tímido preferia não ser notado.

Mas, naquele momento não conseguiu arrumar nenhuma boa desculpa que pudesse convencer o amigo. O qual parecia bastante decidido em fazê-lo sair de casa naquela noite.

        “Poxa! Cara! Já é o terceiro fim de semana que você fica em casa! Vamos! Será bacana! E é o aniversário do Lucas, e sabe que não é a mesma coisa sem você! Somos ou não somos um bando, cara?”

Antes que Mark prolongasse a choradeira, decidiu aceitar o convite, embora tenha enfatizado que só ficaria no máximo por uma hora.

Realmente ele estava se sentindo bastante cansado e sonolento e não estava com pique para ficar uma noite em claro em um lugar cheio de pessoas desconhecidas.

Apesar de morar por um bom tempo na cidade nunca havia ido ao Piano Bar nos dias de sexta. As sextas eram mais para os casais, pois com a decoração e a ambientação romântica, tornava o local um enorme motivo para qualquer solteiro entrar numa depressão profunda.

Mas, a galera reservou aquele dia e aquele local. Douglas sabia que com certeza ficaria entediado e assim teria uma ótima desculpa para deixar o lugar mais cedo.

Ao chegar ao Piano Bar às onze e meia da noite, somente trinta minutos após o combinado. Como sempre o grupo já estava no local, bebiam e conversavam animadamente.

No salão as mesas já estavam todas ocupadas e uma música ambiente compartilhava com as vozes e o tilintar das taças e copos, fazendo com que as pessoas falassem mais alto e ás vezes precisassem chegar perto uns dos outros para serem ouvidos.

Foi recebido com uma grande animação pelos amigos. Do grupo ele era o mais reservado. Homem de poucas palavras, tranquilo, sinceridade extrema e de muito bom gosto; era querido, estimado e respeitado pelos amigos e pela família.

De repente todos no local silenciam-se e os olhares se voltam para a movimentação e as luzes que focalizavam o mesmo ponto. Um foco de luz meio azulado foi direcionado para o piano.

Douglas estava distraído olhando para o líquido em sua taça e ás vezes tentava entre meios sorrisos e acenos de cabeça participar da conversa com os amigos. Conversa essa que se dependesse dele não passaria de “sins” e “nãos”.

 “Boa noite senhoras e senhores” – a voz rouca do Sr. Oscar corta o silêncio no bar, chamando a atenção de todos, menos a de Douglas que, aproveitou que os amigos estavam concentrados e avisou que já estava de saída. Desejou novamente felicidades ao amigo aniversariante e se levantou e rumou em direção à saída.

 “Gostaria de apresentar a nossa nova atração para as noites de sexta-feira” – falou o Sr. Oscar ao dirigir o olhar à moça que já estava sentada ao piano.

 “Senhorita, Jane Winston! Por favor!” – Oscar faz sinal para que a moça se apresentasse. Ela faz um gesto afirmativo e num tom quase inaudível diz boa noite aos ouvintes e suas mãos tocam as primeiras notas de uma música.

 Jane Winston aproximou-se do microfone e com os olhos fechados iniciava a primeira canção da noite, “Something always brings me back to you, It never takes too long”…

Douglas parou. Virou-se para o piano. A voz suave e doce lhe provocou arrepios e sentiu que o coração batia mais acelerado. Tentou olhar por entre as pessoas que se levantaram para aplaudir a cantora, queria ele encontrar o olhar da pessoa que entoava aquela melodia tão acolhedora. E pela primeira vez em sua vida, Douglas sentiu que algo havia mudado dentro de si.

 “J a n e!” – suspirou num sussurro pra si mesmo o nome da mulher ao qual agora contemplava. Ela estava com os olhos semicerrados, os cabelos presos acima na cabeça com fios soltos emoldurando-lhe o rosto pequeno, os movimentos delicados dos lábios enquanto cantava irradiava suaves notas que, atingiam-lhe em cheio o coração de um sentimento totalmente desconhecido.

 Ele não conseguiu se mover do lugar onde estava. O mundo a sua volta só existia duas pessoas: ele e ela. Seus olhares cruzaram-se e ela sorriu-lhe em resposta.

Caro amigo, leitor. Se você não acreditava na força e no mistério que o Universo tem para fazer com que pessoas possam se cruzar nesta vasta imensidão do planeta, talvez seja a hora de repensar no caso. Ali naquele momento, como o unir de peças de um quebra-cabeça, aquelas peças estavam prontas para serem unidas numa magia da vida, A M O R.

 E Douglas acreditou que estava no lugar certo e na hora certa, que o destino o havia levado aquele lugar naquela noite. Sentiu que precisava conhecer aquela mulher, algo dentro de si confirmava-lhe que jamais esqueceria aquele rosto, aquela voz, aquele olhar.

– Douglas, querido! Já faz um bom tempo que está aqui fora. Precisa entrar agora. Seus amigos o esperam no altar, Jane vai chegar a qualquer momento e o Mark está muito nervoso, precisa de você! – a voz da mãe interrompeu-lhe as lembranças, a única coisa que lhe restara de seus sonhos de outrora, aquela pequena chama que o mantinha vivo estava prestes a se apagar.

Ele inspirou o ar profundamente. Seus olhos estavam marejados e lágrimas silenciosas escorriam-lhe pela face.

Estava encostado no batente da escadaria de principal acesso à igreja desde a hora que descera do carro. A mãe sentiu que ele demorara muito para entrar e procurou por ele. E o encontrara ali, perdido em seus pensamentos, com os sentimentos exposto.

A mãe ajeitou-lhe a gravata e passou as mãos no rosto do filho para lhe enxugar as lágrimas. Deu-lhe um tapinha no braço e lhe disse:

 – Vamos, seja forte! Você vai superar tudo isso, querido! Vai ficar tudo bem, eu prometo! – por dentro o coração de Soraya sangrava ao ver o filho tão infeliz. Mas, só o que podia fazer por ora era apoiar-lhe em quaisquer circunstâncias. E, ali estavam mãe e filho unidos num sentimento de compreensão mútua silenciosa.

Estendeu-lhe a mão para que ele a acompanhasse. Douglas não disse nada enquanto caminhavam em direção à entrada da igreja.

Percorria o caminho em silêncio, ciente que a cada passo que dava um pedaço de seu coração e seu mundo se desfaziam por dois motivos: o amigo e a mulher amada. Perderia ele os dois ao mesmo tempo?

Espero que curtam a história, eu posso assegurar que tem sido muito divertido construir cada parágrafo.

Abraços 

Música

Gravity – Sara Bareilles

By Laynne Cris

28 de set 2015

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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10 respostas para Vidas Cruzadas – Parte 2

  1. Letícia disse:

    Meninaaaaa
    Qqisso
    Primeiro: 24 de agosto! 😁❤️ meu bday hahha tá, parei!
    Segundo, acredito messsmo que o universo faz coisas incríveis conosco de uma maneira louca! :”) quase consegui sentir o que o douglas sentiu pela Jane ao ouvi-la cantar.. Gentem :”””)
    Aguardando o desfecho da historia pq impossible me contentar só com isso ahahha
    Beijo Lay! Amei :*

    Curtido por 1 pessoa

    • laynnecris disse:

      Parece que vc curtiu neh Leh… ❤ rs Fico contente com seu comentário! Também acredito que o Universo é poderoso… Fico satisfeita que está gostando, porque eu estou me divertindo muito com essas criações… Beijocas… vai ter sim uma continuação, só não sei que dia… rs

      Curtir

  2. Pelo amor de Deus, escreve logo a parte 3, pois eu necessito dela pra ontem, amiga. Rsrsrsrs!

    Adorei o conto. Se a Jane não quiser o Douglas, eu fico com ele pra mim. rS

    Curtido por 1 pessoa

  3. Tatiana disse:

    Que lindo!! Amei!

    Curtido por 1 pessoa

  4. Pingback: Os bastidores do Meu Espaço Literário | Meu Espaço Literário

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