O Romance de Tristão é Isolda – Resenha

A lenda de Tristão e Isolda

A lenda de Tristão e Isolda

O ROMANCE DE TRISTÃO E ISOLDA

BÉDIER, Joseph, 1864-1938. O romance de Tristão e Isolda. Tradução de Luis Claudio de Castro e Costa; revisão da tradução de Monica Stahel. 5ª Ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

“Quereis ouvir, senhores, um belo conto de amor e de morte? É de Tristão e Isolda, a rainha. Ouvi como em alegria plena e em grande aflição eles se amaram, depois morreram no mesmo dia, ele por ela, ela por ele” (BÉDIER, 2012, p. 1).

Oh, Que intensidade, quanto amor, quanto sofrimento e dramas encontramos ao ler sobre esses amores e vivências antigas. É bem difícil para um “resenhador” selecionar o que escrever diante das inúmeras coisas que “colhi” com essa leitura.

Algo que sempre digo aos meus alunos é que antes de ler um livro devem e precisam namorá-lo, conhecer mais sobre ele, sobre sua origem, acerca de suas qualidades, quem o escreveu, quando foi escrito, etc. Na língua portuguesa nomeamos esse processo de contextualização, ou seja, estar a par do tema, ter algum conhecimento sobre ele, mesmo que básico para um melhor aproveitamento da leitura.

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Então, vou contar para vocês um pouco sobre o autor do livro “O Romance de Tristão e Isolda”, uma lenda céltica que conta o trágico amor entre um cavalheiro e uma princesa irlandesa, que cativou de forma grandiosa os povos do século XII até os dias de hoje, por isso uma lenda que rompe as barreiras do tempo.

joseph bedier

Joseph Bédier 

Adolphe Joseph Bédier foi um escritor, estudioso e historiador da França medieval, nasceu em Paris e foi professor de Literatura Medieval na Universidade de Fribourg, Suiça de 1889 á 1891 e no Colégio da França em 1893. Também foi membro da Academia Francesa de 1920 até o dia de sua morte, em 1938.

Bédier reavivou o interesse em vários textos franceses antigos e historicamente importantes, uns desses textos foram escritos de Béroul e outros de Thomas da Inglaterra, escritores e poetas que no século XII fizeram sua versão da lenda céltica Tristão e Isolda. Também há relatos de fragmentos de textos que não foi identificado o nome do autor, mas que também se tratava da lenda de Tristão e Isolda.

Nesta versão do livro, o prefácio, é escrito por Gaston Paris, um escritor erudito francês e que julgo como uma preparação do leitor acerca das origens da lenda e ter conhecimento de como Bédier, o qual foi brilhantemente cuidadoso e zeloso ao selecionar e traduzir esses poemas arcaicos em uma prosa que nos conduz de forma realística aos tempos dos bárbaros e nos tempos de Arthur e seus cavaleiros.

Sobre lenda Tristão e Isolda

Muito diferente do que se vê nos filmes, o livro trás uma história repleta de aventuras e desencontros. Com narração de toda a crueldade e barbárie vivida nessas civilizações, como por exemplo, levar para a amada a cabeça de um traidor como troféu. No entanto, como em toda a lenda o nosso herói é corajoso, forte e leal. Tem em seu coração a bondade e o espírito de um guerreiro disposto a dar a vida pelo seu povo.

E a história começa quando Rivalen, rei de Loonnois, parte em uma campanha para ao lado do Rei Marc, rei das Cornualhas, para livrar o povo do cruel rei irlandês. Rivalen é recompensado por sua valentia e fidelidade com a irmã do rei Marc, Blanchefleur. Rivalen e Blanchefleur se amam com um amor incondicional e eterno.

Mas, infelizmente o rei Rivalen tem sua terra invadida pelo Duque Morgan, seu pior inimigo. Tendo que guerrear, deixa Blanchefleur grávida sob a custódia de seu homem de confiança, o marechal Rohalt. Blanchefleur espera a volta de seu amado angustiadamente e após um longo tempo recebe a notícia de que Rivalen havia sido morto á traição pelo Duque Morgan.

A rainha se sente muito infeliz, e infeliz vive seus dias até a chegada de seu filho. Blanchefleur não aguentará viver sem a presença de seu amado e seu único desejo é estar com ele do outro lado da vida. E, após dar a luz á um menino, a rainha diz:

“Filho, por muito tempo desejei ver-te; e vejo a mais bela criatura que mulher alguma jamais carregou. Triste trago-te ao mundo, triste é a primeira festa que te faço, por tua causa morro de tristeza. E, como vieste ao mundo por tristeza, terás o nome de Tristão” (Bédier, 2012, p. 2)”

A rainha profere essas palavras e morre. Loonnois foi dominada pelo Duque Morgan, e Rohalt, o defensor da Fé, cria Tristão como seu filho, por medo de que o menino fosse vítima do duque por ser herdeiro da terra por direito.

Passado sete anos, Tristão é tirado do cuidado das mulheres e é entregue á um sábio mestre de nome Governal para aprender a arte dos barões. Tristão recebe uma educação nobre e é admirado por todos por seu belo caráter e bondade.

Mas, o destino reserva surpresas incríveis para nosso herói. Ainda criança o menino é sequestrado e abandonado ao mar. Por obra do acaso chega á terra das Cornualhas. Por suas habilidades e bom caráter é muito estimado pelo rei Marc. Decide servi-lo de coração e mais uma vez o destino o lança aos segredos obscuros de seu futuro.

Tristão vive várias aventuras até que um dia, para livrar a Cornualha dos tributos injustos e cruéis da Irlanda, se oferece para um duelo com o grande guerreiro Morholt. E dá-se início a uma grande epopeia rumo ao amor e a morte. Tristão vence, manda ao rei irlandês a cabeça de Morhold com um pedaço de sua espada como aviso de que a dominação da Cornualha havia sido vencida com lealdade e honra.

No entanto, Morholt não foi ao duelo numa batalha justa e Tristão fica gravemente ferido e definha até a morte por causa dos venenos da espada de seu inimigo. Não há na Cornualha alguém que entenda de antídotos para os venenos e ele então aceita a morte e pede ao rei e para Governal que prepare o seu barco (costume da alta idade média de lançar os enfermos desenganados de cura ao mar) e então segue a correnteza das águas e de seu destino por sete dias e por sete noites, só com sua harpa.

Em terra inimiga seu barco é lançado e ele encontra a cura pelas mãos de Isolda, a bela dos cabelos louros, não se sabe se eles se apaixonam nestes dias. Mas, Isolda seria a última mulher a amar o homem que matou o seu guerreiro de guerra, Morholt.

Tristão encobre sua identidade com uma astuciosa história e após quarenta dias já recobrando sua força e a graça, perdida pela deformação que o veneno lhe fez aos traços pressente que é perigoso alongar sua estada e foge da Irlanda e após passar vários perigos, regressa à Cornualha na presença do rei Marc.

E, a partir daí nosso herói incansável e inconformado com a maldade de seu tempo segue seu destino: enfrenta exércitos, mata dragões, sofre perseguições, vive o mais intenso e perturbador amor.

Por magia e pelo destino Isolda e Tristão “bebem” do amor e não conseguem viver um dia mais longe um do outro, mas como é uma história em que o amor é o motivo da maldição e dor dessas pobres almas, os jovens são obrigados a ocultar seus sentimentos.

“Os amantes não podiam vivem nem morrer um sem o outro. Separados, não era a vida, nem a morte, mas vida e a morte ao mesmo tempo” (BÉDIER, 2012, p. 103).

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Tristão observa o Castelo de Tintagel ao devolver Isolda para o Rei Marc

Diz à lenda que por anos viveram esse amor á distância, e muitas vezes tentaram as escondidas desfrutar da companhia um do outro, foram traídos e descobertos, amaldiçoados a fogueira e a morte, fugiram e se encontraram e depois se perderam outra vez. E por fim sobreviveram graças á benevolência do rei e ao amor que este tinha por ambos, mas pior que a morte de fogueira era viver longe um do outro e assim foi até que a morte os uniria para todo o sempre. […] depois morreram no mesmo dia, ele por ela, ela por ele.

Curiosidades

Em alguns trechos do livro, como em um momento em que Isolda faz um juramento ao rei de sua fidelidade, ela manda chamar Arthur e seus cavaleiros, para que seus votos tivessem maior valor e credibilidade.

“- Está longe demais. Mas peço que de hoje até lá aviseis ao rei Arthur que cavalgue com Monsenhor Gauvain, com Girflet, Ké, e cem de seus cavaleiros até a extrema de vossa terra, a Charneca Branca […]”

E, em Brumas de Avalon, Bradley, no quarto livro da série, refere-se a Tristão e Isolda quando Uwaine (enteado de Morgana vai visitá-la em Gales do Norte e lhe fala sobre as notícias do reino e ele fala com certo horror sobre a traição de Isolda ao rei Marc, que é conhecida como a prostituta), e que Tristão (Drustan) teria partido para um exílio na Bretanha. Que por sinal é quando Bédier narra que Tristão foge para Bretanha sofrendo a dor profunda de seu amor e por amizade e lealdade a um companheiro de guerra (que lá conhece, de nome Kaherdin) se casa com a irmã dele, Isolda das Brancas Mãos.

“[…] comenta-se que ele e a Rainha Isotta haviam se apaixonado. Dificilmente se pode culpá-la… a Cornualha é o fim do mundo; o Duque Marcus está velho, senil, e seus cortesões dizem que também é impotente; uma vida muito dura para a pobre coitada, pois Drustan é bonito, excelente harpista, e ela é profundamente apaixonada por música” (O prisioneiro da árvore – 4º livro da série As Brumas de Avalon).

A narrativa é toda contada em sequência cronológica, a voz do autor está sempre dialogando direto com o leitor, o que nos coloca a par dos acontecimentos muito antes ás vezes deles acontecerem e somos informados sobre situações que os personagens desconhecem que irá acontecer.

Por fim, há vários motivos para se permitir “assistir” a essa bela história que nos leva à Alta Idade Média com tamanha profusão dos acontecimentos e os detalhes das cenas, e acima de tudo é uma rica aula de história, por dias assisti e li muitos documentários sobre os povos celtas, os anglo-saxões, os druidas, as antigas religiões, etc.

Uma ótima leitura para quem chegou até aqui…

Abraços

Laynne Cris

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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