Minha admiração por: A importância do Ato de Ler

A importância do Ato de Ler

A importância do Ato de Ler – Paulo Freire

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam – 51 ed. – São Paulo: Cortez, 2011. (Coleções questões da nossa época; V. 22)

A escolha desse livro para leitura diária e para o embasamento teórico do meu TCC faz jus ao quanto Paulo Freire é assertivo em sua teoria de que a aprendizagem é movida pelo despertar do interesse no indivíduo. Ninguém aprende nada por obrigação ou sem uma determinada atenção ou motivação para o objeto desconhecido.
A importância do ato de ler, o livro, aborda de uma maneira simples e objetiva como se dá o processo de letramento da leitura do mundo. Para Freire a leitura do mundo e a leitura da palavra escrita ou falada são totalmente interligadas, uma não pode existir sem a outra, e uma se faz necessária para complementar a outra.

Ninguém fala ou escreve algo sobre o qual nunca viu ou viveu. A não ser que tenha uma imaginação muito além. Mas, mesmo assim a imaginação é permeada por fatos já vistos, a diferença é que o indivíduo adquire prática e com a prática, criatividade para brincar com seus pensamentos.
Freire gentilmente nos convida a fazer com ele uma viagem no tempo da nossa história e nos mostra como desde o nosso nascimento começamos a fazer a nossa leitura do mundo. E isso é o fato de percebermos o mundo, senti-lo, compreendê-lo, conhecê-lo, etc.
Note que em todas as situações enquanto crescemos somos cercados por interação nossa com o meio e com o outro e não somos passivos a essas situações, agimos sobre ela. Isso lembra muito Vygostsky e Piaget. Portanto, em todas nossas experiências, experimentamos, nos movemos até ela, sentimos, e por que fazemos isso?
A resposta para isso não requer nenhum preparo de mestrado ou doutorado, é simples. Freire afirma que o que nos move é o interesse, a curiosidade, a necessidade! Essa é a mola que nos impulsiona para a construção do saber humano e nossa cultura.
Uma criança não é um pote vazio que alguém vai inserindo informações. Quando ela chega à escola esta repleta de seus saberes, de suas experiências, de suas impressões acerca de seu mundo. Portanto há necessidade de conhecer sua história, de provocar, para que ela perceba as experiências novas que poderá romper, e para isso há necessidade que ela receba estímulos que lhe provoque esse interesse. E isso partirá tanto pelos pais quanto pelos educadores.
Assim, então provocados, estimulados, nosso instinto humano nos guia a apreender o que nos rodeia. E é assim, experimentando, manipulando, observando, participando que o homem se torna consciente de si e do mundo que o cerca. Sendo capaz de transformar, solucionar problemas, criar novos problemas, produzir e agir criticamente e ativamente sobre o mundo para sua sobrevivência e prolongar a sua existência.
A escrita e a leitura da escrita é o aperfeiçoamento desta capacidade intelectual de reflexão do homem. Só o homem é capaz de planejar o futuro, de relembrar o passado e agir sobre o meio de forma consciente, ou seja, ele sabe o que acontece quando age sobre algum objeto. Por exemplo, Freire nos conta a uma história de dois homens que cortaram uma árvore para construir um barco. Quando eles cortaram a árvore sabiam exatamente o que fariam com ela depois. Podiam visualizar o futuro, ou seja, o barco pronto. E sabiam que precisavam do barco para poder pescar e suprir suas necessidades. Isso é solucionar uma necessidade, a da sobrevivência. O homem trabalha para sobreviver modificando e transformando o mundo ao seu redor.
Freira deixa claro que esse processo de percepção e leitura da ação não se dá noite para o dia. Tampouco se realiza sem que se faça algo para que as mudanças aconteçam. Não se aprende a andar sem ser andando. Não se aprende escrever sem ser escrevendo. E somente a prática do fazer nos capacita melhorar a nossa ação. Frase parafraseada do autor, pois adaptei o texto para a minha necessidade.
Com a prática da leitura de mundo, o homem adquire esclarecimento e passa a perceber e compreender o seu mundo e o mundo externo ao seu. Sendo assim capaz de dialogar e questionar este mundo. A palavra escrita, portanto, nada mais é do que a organização do ato perceptivo e da leitura realizada á todo momento da vida.

E é o que faço ao me debruçar sobre essas folhas em branco e transcrevo em palavras a minha compreensão e reflexão crítica deste livro tão gracioso e rico que termino de ler. Pude dialogar com Freire e ele fez de suas ideias fontes que esclareceram coisas que eu já sabia na prática ou desconfiava.
No segundo e no terceiro artigo Freire nos apresenta como essa visão se realiza na prática. Ele narra como se deu o processo de reconstrução da sociedade através da alfabetização do povo de São Tomé e Príncipe. Um povo liberto recentemente da colonização de Portugal em 1981.
Neste ponto, já considerando que o ato da leitura do mundo, e a sua ligação com a leitura escrita é algo esclarecido neste singelo texto, quero salientar que Freire tem como fundamentação de sua experiência que educação é um ato político.

Portanto, educar é politizar. Freire diz que é necessário que o educador tenha essa consciência e compreenda o seu papel enquanto cidadão.
Finalizo meu texto com uma frase deste livro e convido todos que leram até aqui, que se permitam a leitura deste livro excelente de apenas 102 páginas e totalmente esclarecedoras.

“Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo”. Freire

Por Layne Cris

Boas Leituras

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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