Comentários – A rainha Normanda (Patricia Bracewell)

Ficção Histórica

A Rainha Normanda

BRACEWELL, Patricia. A rainha normada. Tradução de Maria Luiza Newlands. São Paulo: Arqueiro, 2015.

“979 d.c. Nesse ano,  o rei Edward foi assassinado em Corfegate, no décimo quinto dia antes das calendas de abril, ao anoitecer, e foi enterrado em Werham sem quaisquer honrarias reais. Não houve pior feito do que este desde que o homem chegou à ilha da Bretanha… Ethelred foi consagrado rei. Nesse mesmo ano, muitas vezes se viu o céu cor de sangue, mais evidente à meia-noite, como fogo em forma de nebulosos feixes de luz. Quando o amanhecer se aproximava, essa coloração aos poucos desvanecia”. – Crônicas Anglo-Saxã

No ano 1000 d.c. dá-se inicio a narrativa sob um clima sombrio de traição, morte, guerras, terror, e é sob esta perspectiva histórica vividas nestes anos medievais que Bracewell recria de forma bem inteligente e envolvente os momentos vividos pela rainha Emma, a filha de Richard da Normandia, e a partir do ano 1002 d.c. rainha da Inglaterra.

Quando Ethelred II fica viúvo logo lhe é providenciado uma noiva. Emma poderia ter entre 12 a 20 anos quando é desposada pelo rei da Inglaterra. O rei é conhecido como desconfiado, violento e perturbado por assombrações, que a autora descreve essas assombrações a uma suspeita culpa que o rei carrega pela morte de seu irmão Edward.

Emma apesar de ter sido acompanhada até a Inglaterra com uma pequena comitiva normanda, sente-se perdida numa Terra desconhecia e ao ter sido recebida pelo rei somente no dia do casamento presente que seu casamento não passará de uma aliança entre a Normandia e a Inglaterra. No entanto, assume com uma força inexplicável toda a situação difícil que enfrenta ao fazer seu juramento em servir o rei e a Inglaterra com fidelidade.

O que me cativa numa história medieval era a ignorância dos povos acerca de muitas coisas sobre a vida e sobre a morte, o que os levava a acreditar em mitos, lendas, ira de Deus, castigos divinos, etc.

E a personagem mais afligida nesta história pela ira de Deus e das alma dos mortos é Ethelred II que, acredita que todo o seu reinado e a Inglaterra sofrem com uma maldição de pelo irmão assassinado, pelo qual ele passa a usar sua coroa. Todas suas decisões reais acabam sendo permeada por essa crença, o que o leva a várias catástrofes, como o conhecido massacre de São Brício, que o põe sob a ira de Swein Forkbeard.

Swein Forkbeard se intitula rei dos vikings e dos dinamarqueses e tem como objetivo vingar a morte dos seus e conquistar a Inglaterra. As descrições das batalhas e dos motivos que a desencadeiam são bem organizadas e a autora te leva a cada cenário com bastante precisão. O que facilita a contextualização com o tempo e a era, o que torna fácil imaginar o rosto e o perfil das personagens e as cenas narradas com os detalhes das descrições remontam os tempos antigos.

Eu particularmente amo aquelas entrada de capítulo com os dizeres: “Novembro de 1002. Winchester, Hampshire”, na minha mente consigo ouvir uma narração tal como naqueles filmes de época e também adoro contos e histórias com personagens históricos. O livro é muito bem organizado e percebe-se todo um cuidado em contextualizar a narrativa com a credibilidade que pertencia àquela época. No início tem um pequeno glossário com as palavras que são muito utilizadas no livro e que são trazidas do contexto medieval em que a história se passou. Por exemplo, os herdeiros do rei são chamados de etheling” ou “atheling”, que quer dizer merecedor do trono, que devem ser filhos legítimos dos reis anglo-saxões.

Para não se prolongar demais por aqui, posso garantir que a rainha Emma é uma figura que ora você detesta e ora a admira, devido à frieza e solidão vivida nos castelos da Inglaterra, Emma se apaixona por Athelstan, o filho mais velho de seu marido, o rei. Uma história que jamais poderá se concretizar e o amor não é uma dádiva que ela como rainha se sente no direito de se permitir e até acredita que nos tempos em que vive o amor é algo que não se pode permitir a existência. Essa crise e sofrimento são conhecidos através da narrativa dos pensamentos de Emma e do próprio Athelstan.

O único problema que percebi ao chegar à última folha deste livro lançado em 2015 aqui no Brasil é que ele é parte de uma série da qual será reconstituída a tão misteriosa vida desta rainha que, reinou com soberania e força em tempos difícil na Inglaterra medieval. E como é uma série ainda não tenho notícias do segundo volume e isso é cruel demais para um leitor. Do resto, muito me agradou a escrita e a construção da história em todos os aspectos e também a nota da autora no final, que graciosamente dá detalhes históricos e cita indicações de leitura para melhor conhecer esse período histórico.

Super indico a leitura desse livro para quem ama ficções históricas.

Até breve. E ótimas leituras!

Por Laynne Cris

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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