Comentários sobre – ORGULHO E PRECONCEITO

Martins Claret

Orgulho e Preconceito – Jane Austen

AUSTEN, Jane, 1775-1817. Orgulho e Preconceito/Jane Austen. Tradução: Roberto Leal Ferreira. São Paulo: Martin Claret, 2012. (Jane Austen, vol.2)

Sobre livro

Como sempre meus relatos sobre os livros que leio não tem a mera intenção de trazer uma sinopse ou uma crítica sobre o livro lido e não vou fazer um resumo sobre a história. Na verdade é sempre um contentamento enorme concluir uma leitura e poder refletir ou conversar sobre.

Quem sabe um pouco sobre mim, sabe do meu deslumbre por coisas do passado, história, livros que reconstroem uma época. Então, se quer fazer uma viagem ao passado nada como entrar numa “máquina do tempo” chamada livro. E isso a coleção dos livros de Jane Austen fará com certeza.
Em primeiro instante acho válido comentar sobre Jane Austen. Ela viveu no final do século XVIII até as primeiras décadas do século XIX. Tempo esse marcado pelas guerras napoleônicas, crescimento do Império britânico, revolução Industrial e da economia inglesa. Embora todo esse cenário de tormentas a envolvesse, ela não faz muita menção a eles. Uma característica muito forte na escrita da Jane, é que ela não se aventura a dizer algo sobre alguma coisa que não tenha domínio.

É possível reconhecer em alguns momentos, como por exemplo, quando ela cita a chegada do Regimento da Guarda Nacional à uma das cidades, o que deixa as moçoilas todas enlouquecidas. Nesta época umas das preocupações de toda mulher era conseguir arrumar um marido antes dos 20 anos, e isso fica claro quando se sabe que naquela época mulher não herdava nada do pai e depois dos 24 já era considerada velha demais pra casar. Pode-se fazer um julgamento precipitado se não tiver um conhecimento sobre a sociedade da época e achar que as mulheres era meio atrevidinhas e tal, no entanto, era um mal necessário. Ser solteirona e sem nenhum meio pra ganhar dinheiro a mulher se tornava um fardo para a família e poderia viver de casa em casa de parente para cuidar dos filhos dos outros, a não ser em circunstâncias piores.
Já li muitas resenhas, pequenas biografias, blogs e tudo o que tem relacionado com essa autora que tanto me cativa. Só ainda não encontrei uma boa biografia. Já dá pra notar que não vou achar ruim um livro da JA. Se bem que sempre procuro ler um livro sob a perspectiva do público destinado, ou seja, livre dos meus preconceitos, algo que não é muito fácil. Mas, com treino isso torna a leitura bastante proveitosa. Pois, bem! Vamos ao Orgulho e Preconceito!
Orgulho e Preconceito conta a história em especial de Elisabeth Bennet e o Sr. Darcy, apesar de toda a trama está envolvida a família Bennet num geral.  O casal logo que se conhecem já ficam com uma impressão negativa um do outro. E, em certa ocasião (um baile) ele diz em voz alta quando um amigo, o Sr. Bingley tenta apresenta-lo á Elisabeth:

[…] É suportável, mas não bonita o bastante para me animar; não estou com paciência no momento para dar atenção a mocinhas desdenhadas por outros homens […]

Elisabeth o ouve e o acha o ser mais orgulhoso e arrogante que já viu, e por ai se inicia o confronto entre eles. Nota também que ele não gosta o alvoroço das mulheres pelos homens.
Mas, através destes acontecimentos vamos conhecemos o cotidiano das famílias e personagens envolvidos neste contexto. O cotidiano é o tema que Jane Austen explora em todos os seus romances. Creio eu, por ser algo que ela poderia escrever com verdade e conhecimento. Pois ela mesma viveu muitas situações similares em sua vida, apesar de ser uma excelente criadora (segundo algumas notas biográficas que já li e também porque fica claro diante dos personagens originais e totalmente distintos um dos outros, é preciso muito conhecimento e criatividade para tal organização).
Então, já fica sabido que quando Elisabeth conhece o senhor Darcy ela o odeia com todas as forças, contudo percebe-se que rola entre eles uma certa atração e interesse. E acompanhamos a evolução desse relacionamento crescendo ao decorrer de toda estória, o que não é fácil, pois em cada momento eles estão de um lado, uma hora parecem se entender e outras parecem que vão se atacar. O que torna também a leitura instigante e divertida.

Mas, embora seja bastante gostoso acompanhar o diálogo entre os dois, não é só essa parte que mais me cativa ou me fez ler mais cuidadosamente cada página (demorei mais de uma semana para ler), o que mais me faz parar para observar e me prende é a capacidade que a JA tem de nos fazer passear pelo seu mundo fictício. Ela nos conduz pelas ruas dos condados onde suas personagens viviam, ao seio da família, as relações sociais, os bailes, os Tetê a Tetê (expressão de origem francesa, em que Tetê significa “cabeça”) que é quase o nosso face a face ou simplesmente uma conversa entre duas pessoas.
Amamos ou odiamos suas personagens, ela é fiel á personalidade daquela personagem do começo ao fim. Eu, por exemplo, esganaria a senhora Bennet (mãe da Elisabeth) se a encontrasse e também o senhor Collins. Ou seria colocada na fogueira porque não seria capaz de me calar diante de tantas barbaridades e injustiças que as pessoas diziam uma para outra. Por outro lado o pai, o Sr. Bennet, é a figura mais incrível e divertido de ler.
No entanto é possível enxergar o quanto que uma cultura é modeladora ás vezes de nossos comportamentos, principalmente quando a pessoa não tem uma autonomia do pensamento ou não consegue obter conhecimento além do que se passa ao redor dela.

Por exemplo: era totalmente normal os pais falarem as visitas ou para algum pretendente o quanto uma filha era mais bonita que outra, ou mais inteligente. Hoje, acharia a pior das humilhações ser comparada ou classificada por algo que não tenho condições de mudar. Mas, apesar de as heroínas de JA serem bastante modernas para a época não há contestações ou sentimentos negativos quanto a isso.
A família Bennet é composta por cinco filhas e o Sr. Bennet mesmo fala em várias ocasiões que nunca viu moças mais tolas em toda a Inglaterra, exceto claro as duas mais velhas, Elisabeth e Jane. Em certos momentos (quase todos) somos conduzidos a concordar com ele. (risos)
Toda a narrativa tem um sutil humor e um acompanhamento meio que diário do que acontece no dia a dia dessas mulheres. A vida delas se divide entre visitar parentes na cidade, os bailes e passeios na natureza; as famosas caminhadas. Os cenários são sempre descritos e é possível notar a paixão que a autora esbanja para esses detalhes, consigo sentir a emoção que seria olhar o horizonte e apreciar um por do sol naquele lugar sob os olhos de Jane Austen. Só por isso a leitura do livro para mim já seria deliciosa.
Algo que também gosto bastante é apreciar o meio de comunicação entre eles e a forma como escrevem. Os rodeios que se fazia para informar algo ou externar algum sentimento por qualquer que fosse. E o sentimento de inveja ou desprezo também se era notado nestes discursos, por mais educados e recatados que fossem.

E muitas vezes também fui obrigada a fazer uma pesquisa para determinadas palavras por não conseguir compreender seu significado junto ao contexto. Ex.: rapacidade.
Para não se prolongar e tornar cansativa a leitura num comentário sobre um livro como esse, poderia simplesmente resumir que: para usufruir de todos os benefícios que ler Jane Austen oferece teria que lê-lo uma vez ao ano até conseguir desvendar todos os tesouros escondidos em suas páginas.

Boas leituras

Laynne Cris Andrade

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Sobre laynnecris

Sou Elaine C. Andrade. Hoje (2017) tenho 38 anos. Sou apaixonada pela leitura e por escrever. Sou formada em Pedagogia e pretendo me especializar em Inglês, alfabetização e gestão escolar. Tenho uma fascinação por músicas e Inglês. Atualmente tenho me dedicado muito na busca da fluência e sou professora alfabetizadora em Inglês. Minha meta é passar no exame da IELTS e talvez morar fora um tempinho. A leitura é para mim um meio muito prazeroso de poder atingir locais e lugares inimagináveis, além de ser uma terapia e uma fonte de conhecimento sem fim. E quando aprendemos nos proporcionar esses momentos para entretenimento, ler torna-se uma atividade necessária para o dia a dia. Também gosto de desenhar, colorir, ouvir músicas. No entanto, faço com menos frequência (só quando surge aquela vontade enorme ou sobra um tempinho). Agora ler nunca estou sem ler algo e onde vou tenho um livro comigo. Me sinto mal se não posso ler. É uma necessidade. Embora ultimamente tenho lido mais livros técnicos e materiais em Inglês. Nasci em Suzano e atualmente moro num bairro de Mogi das Cruzes e estou aprendendo a me adaptar por aqui. Também adoro participar de comunidades de leitura no facebook e canais literários do youtube. Conhecer pessoas, descobrir novos talentos e as vezes encontramos pessoas muito maravilhosas. Enfim, sou uma mulher e profissional comprometida e apaixonada pelo que faço, amo minha minha família e amigos mais que tudo neste mundo. "Que aonde eu passar eu faço amigos e possa agregar valores e aprender também". Laynne Cris
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2 respostas para Comentários sobre – ORGULHO E PRECONCEITO

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